CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
A síndrome do seio silencioso é caracterizada por:
Enoftalmia unilateral progressiva + Hipoplasia do seio maxilar = Síndrome do Seio Silencioso.
A Síndrome do Seio Silencioso é uma condição rara caracterizada pelo colapso espontâneo das paredes do seio maxilar, levando à enoftalmia e hipoglobo ipsilateral.
A Síndrome do Seio Silencioso é uma entidade clínica que deve ser lembrada em casos de assimetria facial ou ocular unilateral de evolução lenta e indolor. O paciente típico é um adulto jovem ou de meia-idade que percebe que um dos olhos está 'afundando'. Diferente de outras causas de enoftalmia, não há história de trauma ou cirurgia prévia. O diagnóstico diferencial inclui a microftalmia, atrofia da gordura orbital (como na esclerodermia linear) e metástases orbitárias (especialmente de câncer de mama, que podem causar enoftalmia por fibrose). A tomografia computadorizada é o padrão-ouro para o diagnóstico, revelando a clássica 'implosão' do seio maxilar. O reconhecimento precoce pelo oftalmologista ou otorrinolaringologista evita investigações desnecessárias para doenças neurológicas ou neoplásicas.
A fisiopatologia exata envolve a obstrução crônica do complexo ostiomeatal, que impede a ventilação do seio maxilar. Isso gera uma pressão negativa persistente no interior do seio (vácuo), levando à reabsorção gradual do ar e ao colapso das paredes sinusais. A parede superior do seio maxilar (que é o assoalho da órbita) é puxada para baixo, resultando no aumento do volume orbital e consequente enoftalmia (olho para dentro) e hipoglobo (olho para baixo). É chamada de 'silenciosa' porque o paciente geralmente não apresenta sintomas de sinusite crônica.
Na Tomografia Computadorizada (TC) de seios da face, observa-se a opacificação total ou parcial de um seio maxilar hipoplásico, com retração de todas as suas paredes (superior, anterior e lateral). O achado mais característico é o rebaixamento do assoalho orbitário. O septo nasal pode estar desviado para o lado afetado e o processo uncinado costuma estar lateralizado, aderido à parede medial da órbita. Esses achados confirmam a atelectasia sinusal e a diferencia de uma hipoplasia congênita pura.
O tratamento é cirúrgico e visa interromper o processo de pressão negativa e, se necessário, corrigir a estética ocular. A primeira etapa é a cirurgia endoscópica funcional dos seios paranasais (antrostomia maxilar) para restabelecer a aeração e drenagem do seio. Em muitos casos, a estabilização da pressão interrompe a progressão. Se a enoftalmia ou a diplopia forem clinicamente significativas, pode ser realizada a reconstrução do assoalho orbitário com implantes para reposicionar o globo ocular.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo