SIADH: Diagnóstico e Manejo da Hiponatremia Grave

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem de 53 anos de idade relata quadro de fraqueza, adinamia e sonolência há 5- 6 dias, evoluindo com confusão mental nas últimas horas. Tem antecedentes de hipertensão arterial e depressão, em uso de hidroclorotiazida, anlodipino e sertralina. Glicemia capilar: normal. Exame físico: hidratado, corado, afebril, sonolento e confuso; PA: 165 x 105 mmHg, FC: 62 bpm, FR: 12 ipm, oximetria de pulso com SatO2 : 96%; cardiopulmonar: normal; não há déficit neurológico focal; extremidades: sem alterações. Exames séricos: sódio: 118 mEq/L, potássio: 3,9 mEq/L, ureia: 16 mg/dL, creatinina 0,4 mg/dL e glicemia: 86 mg/dL; hemograma: normal. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) acidente vascular cerebral.
  2. B) hipoaldosteronismo hiporreninêmico.
  3. C) nefropatia perdedora de sal.
  4. D) potomania.
  5. E) síndrome da secreção inapropriada de ADH.

Pérola Clínica

Hiponatremia euvolêmica + sintomas neurológicos + uso de SSRI/tiazídico → SIADH.

Resumo-Chave

O paciente apresenta hiponatremia grave (Na 118 mEq/L) com sintomas neurológicos (confusão mental, sonolência) e euvolemia. O uso de sertralina (SSRI) e hidroclorotiazida são fatores de risco conhecidos para SIADH, que se manifesta por hiponatremia dilucional com osmolalidade plasmática baixa e osmolalidade urinária inapropriadamente alta, na ausência de outras causas.

Contexto Educacional

A hiponatremia, definida como sódio sérico abaixo de 135 mEq/L, é o distúrbio eletrolítico mais comum e pode ser fatal se não for prontamente reconhecida e tratada. A Síndrome da Secreção Inapropriada de ADH (SIADH) é uma causa frequente de hiponatremia euvolêmica, caracterizada pela secreção excessiva de hormônio antidiurético (ADH) em situações não fisiológicas, levando à retenção de água e diluição do sódio plasmático. É crucial para residentes identificar e manejar essa condição. A fisiopatologia da SIADH envolve a ação do ADH nos túbulos coletores renais, aumentando a reabsorção de água livre e resultando em hiponatremia dilucional. As causas são variadas e incluem neoplasias (especialmente câncer de pulmão de pequenas células), doenças pulmonares (pneumonia, tuberculose), doenças do sistema nervoso central (meningite, AVC, trauma), e uma ampla gama de medicamentos, como ISRS (sertralina), diuréticos tiazídicos (hidroclorotiazida) e carbamazepina. Os sintomas neurológicos, como confusão mental e sonolência, são decorrentes do edema cerebral. O diagnóstico de SIADH é de exclusão e baseia-se nos critérios laboratoriais e clínicos. O tratamento depende da gravidade dos sintomas e da rapidez de instalação da hiponatremia. Em casos graves e agudos, a correção rápida com solução salina hipertônica pode ser necessária para evitar complicações neurológicas. Em casos crônicos ou assintomáticos, a restrição hídrica é a pedra angular do tratamento. A identificação e interrupção de medicamentos causadores são essenciais. O prognóstico é geralmente bom com o manejo adequado, mas a hiponatremia grave pode ter alta morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para SIADH?

Os critérios diagnósticos para SIADH incluem hiponatremia (Na < 135 mEq/L), hipo-osmolalidade plasmática (< 275 mOsm/kg), osmolalidade urinária inapropriadamente alta (> 100 mOsm/kg), euvolemia clínica, sódio urinário > 30 mEq/L e função renal, adrenal e tireoidiana normais, além da exclusão de outras causas de hiponatremia.

Quais medicamentos podem induzir SIADH?

Diversos medicamentos podem induzir SIADH, incluindo inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) como a sertralina, diuréticos tiazídicos como a hidroclorotiazida, carbamazepina, ciclofosfamida, vincristina e alguns antipsicóticos. É crucial revisar a medicação do paciente com hiponatremia.

Como a hiponatremia grave afeta o sistema nervoso central?

A hiponatremia grave causa edema cerebral devido ao movimento osmótico da água para dentro das células cerebrais. Isso pode levar a sintomas neurológicos como cefaleia, náuseas, vômitos, letargia, confusão mental, convulsões e, em casos extremos, coma e herniação cerebral. A gravidade dos sintomas correlaciona-se com a rapidez e o grau da queda do sódio.

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