SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Lactente, sexo feminino, no 25º dia de vida, residente em zona rural, é levada à UBS para sua primeira consulta. Nasceu de parto domiciliar e a genitora, multípara, não fez pré-natal regular, tendo registro de apenas uma consulta no segundo mês de gestação. A bebê nasceu a termo, pesando 2.150g, medindo 48cm. Apresentou icterícia no primeiro dia de vida. A genitora relata que percebe que há um círculo esbranquiçado no olho esquerdo. É alimentada exclusivamente com leite materno. Ao exame, ativa, bom estado geral, apresenta microcefalia e opacificação na zona pupilar do olho esquerdo. Sem outros achados anormais.Indique uma outra anomalia que faz parte da síndrome congênita clássica da doença.\n
Rubéola Congênita = Catarata + Surdez + Cardiopatia (PCA).
A Síndrome da Rubéola Congênita (SRC) resulta da infecção materna primária no primeiro trimestre. A tríade clássica de Gregg inclui malformações oculares, auditivas e cardíacas.
A rubéola congênita ocorre quando o vírus da rubéola atravessa a placenta durante uma infecção materna primária. O risco de malformações fetais é inversamente proporcional à idade gestacional no momento da infecção, sendo o primeiro trimestre o período de maior vulnerabilidade (risco de até 85%). A tríade clássica de Gregg (catarata, surdez e cardiopatia) é o marco diagnóstico, mas a microcefalia e o baixo peso ao nascer são achados frequentes em casos graves. A cardiopatia mais comum associada é a persistência do canal arterial (PCA). O diagnóstico neonatal é confirmado pela detecção de anticorpos IgM específicos para rubéola no sangue do recém-nascido ou pela persistência de níveis de IgG além do esperado pela transferência placentária. O manejo é focado no suporte das malformações e no acompanhamento multidisciplinar para mitigar sequelas sensoriais e motoras.
A Tríade de Gregg é o conjunto clássico de manifestações clínicas da Síndrome da Rubéola Congênita. Ela é composta por: 1) Defeitos oculares, sendo a catarata congênita a mais comum (frequentemente bilateral); 2) Defeitos auditivos, caracterizados por surdez neurossensorial; e 3) Defeitos cardíacos, sendo a persistência do canal arterial (PCA) e a estenose da artéria pulmonar as malformações mais frequentes.
Além da tríade clássica, a Síndrome da Rubéola Congênita pode se manifestar com microcefalia, restrição de crescimento intrauterino (baixo peso ao nascer), hepatoesplenomegalia, icterícia neonatal precoce, púrpura trombocitopênica (conhecida como 'blueberry muffin rash') e lesões ósseas radioluzentes. O comprometimento do sistema nervoso central pode levar a atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e deficiência intelectual.
A prevenção primária é feita através da vacinação de mulheres em idade fértil com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). É fundamental garantir que a mulher esteja imunizada antes de engravidar, pois a vacina é composta por vírus vivo atenuado e é contraindicada durante a gestação. O pré-natal adequado, com a triagem sorológica para rubéola, permite identificar gestantes suscetíveis que devem ser orientadas a evitar exposição.
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