Síndrome da Rubéola Congênita: Diagnóstico e Manifestações

UNIFESO/HCTCO - Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Uma criança de 20 dias de vida é levada ao hospital porque observou que ela se cansa durante as mamadas. Nasceu de parto a termo, vaginal, tendo a mãe feito apenas uma consulta de pré-natal. O exame físico mostra um recém-nascido com peso de 1950 gramas, estatura de 45cm, perímetro cefálico de 29cm, icterícia ++/++++, hipoatividade, fontanelas abertas e normotensas, craniotabes negativo, presença de nistagmo, ausculta pulmonar com múrmurio vesicular universalmente audível, à ausculta cardíaca sopro contínuo no 2º espaço intercostal esquerdo, palpação abdominal com fígado a 3,5cm do rebordo costal direito e baço a 3 cm do rebordo costal esquerdo. Dos reflexos primitivos o Moro é negativo. Este quadro sugere que durante a gestação, a infecção materna mais provável foi:

Alternativas

  1. A) Sífilis
  2. B) HIV
  3. C) Herpes simples
  4. D) Rubéola
  5. E) Toxoplasmose

Pérola Clínica

Rubéola congênita: tríade clássica (catarata/nistagmo, cardiopatia, surdez) + PIG, microcefalia, hepatoesplenomegalia.

Resumo-Chave

A Síndrome da Rubéola Congênita é caracterizada por uma constelação de malformações, incluindo cardiopatias (comum PCA), defeitos oculares (catarata, nistagmo), surdez, microcefalia, retardo do crescimento intrauterino (PIG) e hepatoesplenomegalia, resultantes da infecção materna durante a gestação.

Contexto Educacional

A Síndrome da Rubéola Congênita (SRC) é uma condição grave resultante da infecção materna pelo vírus da rubéola durante a gestação, especialmente no primeiro trimestre. Apesar da vacinação, casos ainda ocorrem, principalmente em populações não vacinadas ou com cobertura vacinal inadequada. A importância clínica reside na morbidade significativa que causa ao recém-nascido, com malformações permanentes e impacto no desenvolvimento. A fisiopatologia envolve a replicação viral no feto, levando a danos celulares e teciduais em múltiplos órgãos. O diagnóstico é suspeitado pela constelação de achados clínicos, como retardo do crescimento intrauterino, microcefalia, cardiopatias congênitas (persistência do canal arterial é comum), defeitos oculares (catarata, glaucoma, retinopatia), surdez neurossensorial, hepatoesplenomegalia, icterícia e alterações neurológicas. A confirmação laboratorial é feita pela detecção de anticorpos IgM específicos para rubéola no sangue do recém-nascido ou isolamento viral. Não há tratamento antiviral específico para a SRC. O manejo é de suporte, focado nas malformações presentes, como cirurgia cardíaca para PCA ou correção de catarata. O prognóstico varia conforme a gravidade das malformações. A prevenção é a medida mais eficaz, através da vacinação de mulheres em idade fértil antes da gestação, evitando a exposição ao vírus durante a gravidez.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações clínicas da Síndrome da Rubéola Congênita?

As manifestações incluem malformações cardíacas (persistência do canal arterial, estenose da artéria pulmonar), oculares (catarata, glaucoma, retinopatia), surdez neurossensorial, microcefalia, retardo do crescimento intrauterino, hepatoesplenomegalia e icterícia.

Qual o período de maior risco para a infecção materna por rubéola causar a síndrome congênita?

O maior risco de transmissão vertical e de malformações graves ocorre quando a infecção materna acontece no primeiro trimestre da gestação, especialmente nas primeiras 8-10 semanas.

Como diferenciar a rubéola congênita de outras infecções TORCH?

Embora haja sobreposição de sintomas, a rubéola congênita é classicamente associada à tríade de Gregg (catarata, cardiopatia, surdez), além de PIG e microcefalia. Outras infecções TORCH têm padrões ligeiramente diferentes, como calcificações intracranianas na toxoplasmose e CMV.

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