São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2025
Uma adolescente de 17 anos, que nunca menstruou, apresenta sinais de desenvolvimento mamário e pilificação pubiana compatíveis com Tanner III. Ela não possui histórico de cólicas ou desconforto pélvico. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Amenorreia primária + caracteres sexuais secundários + ausência de dor pélvica → Síndrome de Rokitansky.
A Síndrome de Rokitansky (MRKH) é a causa mais comum de amenorreia primária em pacientes com desenvolvimento normal de caracteres sexuais secundários e cariótipo 46,XX. Caracteriza-se pela agenesia congênita do útero e dos dois terços superiores da vagina, com ovários funcionantes.
A amenorreia primária é a ausência de menstruação até os 16 anos com caracteres sexuais secundários presentes, ou até os 14 anos sem desenvolvimento de caracteres sexuais secundários. A Síndrome de Rokitansky (MRKH) é a segunda causa mais comum de amenorreia primária, afetando cerca de 1 em cada 4.500 a 5.000 nascimentos femininos. É crucial para o médico residente saber diferenciar as causas de amenorreia primária para um diagnóstico e manejo adequados, evitando atrasos e impactos psicossociais na paciente. A fisiopatologia da MRKH envolve um desenvolvimento anormal dos ductos müllerianos durante a embriogênese, resultando na agenesia ou hipoplasia do útero e dos dois terços superiores da vagina. Os ovários, que se desenvolvem a partir de estruturas diferentes, são geralmente normais e funcionantes, explicando o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários. O diagnóstico diferencial inclui outras malformações müllerianas, hímen imperfurado e disgenesias gonadais, sendo a ausência de dor pélvica um forte indicativo de MRKH em contraste com o hímen imperfurado. O manejo da Síndrome de Rokitansky foca na criação de uma neovagina para permitir a função sexual, com opções que incluem dilatação vaginal progressiva ou cirurgias como a vaginoplastia. O suporte psicológico é fundamental para as pacientes e suas famílias. Embora a infertilidade uterina seja uma consequência, a função ovariana preservada permite opções como a fertilização in vitro com útero de substituição. O reconhecimento precoce e a abordagem multidisciplinar são essenciais para otimizar os resultados e a qualidade de vida dessas pacientes.
Os sinais incluem amenorreia primária (ausência de menstruação até os 16 anos), desenvolvimento normal de mamas e pelos pubianos (caracteres sexuais secundários), e ausência de dor pélvica cíclica. O exame físico revela uma vagina curta ou ausente.
O diagnóstico é clínico e confirmado por exames de imagem, como ultrassonografia pélvica e ressonância magnética, que demonstram a ausência ou hipoplasia do útero e da vagina, com ovários presentes e normais. O cariótipo é 46,XX.
O tratamento visa criar uma neovagina para permitir a atividade sexual, geralmente por métodos não cirúrgicos (dilatação) ou cirúrgicos. Não há tratamento para a infertilidade uterina, mas a gestação pode ser possível via útero de substituição com óvulos próprios.
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