Critérios de SIRS: Definição de Bone e Colaboradores (1992)

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026

Enunciado

O entendimento sobre a resposta inflamatória sistêmica no paciente cirúrgico é de vital importância para o melhor manejo do paciente. Nesse sentido, quais dentre as alternativas são os critérios que definem melhor a Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) segundo Bone e colaboradores em 1992?

Alternativas

  1. A) Temperatura > 38.0°C ou < 36.0°C, frequência cardíaca > 90 batimentos/minuto, frequência respiratória > 20 respirações/minuto, contagem de leucócitos > 12.000 células/mm³, < 4.000 células/mm³ ou > 10% de formas imaturas (bastonetes).
  2. B) Temperatura > 37.5°C ou < 35.0°C, frequência cardíaca > 80 batimentos/minuto, frequência respiratória > 18 respirações/minuto, contagem de leucócitos >10.000 células/mm³, < 5.000 células/mm³.
  3. C) Temperatura > 39.0°C ou < 35.5°C, frequência cardíaca > 100 batimentos/minuto, frequência respiratória > 22 respirações/minuto, contagem de leucócitos > 13.000 células/mm³, < 3.000 células/mm³.
  4. D) Temperatura > 38.0°C ou < 36.0°C, frequência cardíaca > 90 batimentos/minuto, frequência respiratória > 20 respirações/minuto, contagem de leucócitos > 12.000 células/mm³, < 4.000 células/mm³.
  5. E) Temperatura > 37.0°C ou < 35.0°C, frequência cardíaca > 85 batimentos/minuto, frequência respiratória > 19 respirações/minuto, contagem de leucócitos > 11.000 células/mm³, < 4.500 células/mm³.

Pérola Clínica

SIRS = 2 ou + de: Temp >38/<36, FC >90, FR >20 (ou PaCO2 <32), Leucos >12k/<4k ou >10% bastões.

Resumo-Chave

A SIRS reflete a ativação generalizada do sistema imune, sendo definida por alterações em sinais vitais e leucograma, independentemente da presença de infecção.

Contexto Educacional

A SIRS foi introduzida para descrever o continuum da resposta inflamatória que pode levar à falência de múltiplos órgãos. Embora o consenso Sepsis-3 tenha priorizado o escore SOFA para definir sepse devido à maior especificidade para mortalidade, os critérios de Bone (1992) continuam fundamentais na prática clínica inicial, especialmente na triagem de pacientes cirúrgicos e na compreensão da resposta metabólica ao trauma. A fisiopatologia da resposta inflamatória sistêmica envolve a liberação em cascata de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-alfa, IL-1 e IL-6, que promovem vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e alteração do set-point térmico hipotalâmico. No pós-operatório imediato, a SIRS pode ser uma resposta fisiológica esperada ao trauma cirúrgico; contudo, sua persistência além das primeiras 24-48 horas ou seu surgimento tardio exige investigação rigorosa para complicações como deiscências de anastomose, coleções intracavitárias ou infecções nosocomiais.

Perguntas Frequentes

Quais são os 4 critérios diagnósticos da SIRS?

A Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) é definida pela presença de pelo menos dois dos seguintes critérios clínicos e laboratoriais: 1) Temperatura corporal central superior a 38°C ou inferior a 36°C; 2) Frequência cardíaca superior a 90 batimentos por minuto; 3) Frequência respiratória superior a 20 incursões por minuto ou uma pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2) inferior a 32 mmHg; 4) Contagem de leucócitos totais superior a 12.000/mm³, inferior a 4.000/mm³ ou a presença de mais de 10% de formas imaturas (bastonetes). Esses critérios foram estabelecidos no consenso de 1992 para identificar precocemente pacientes com insultos inflamatórios graves.

SIRS é sinônimo de infecção ou sepse?

Não. A SIRS é uma resposta inespecífica do organismo a diversos insultos, que podem ser infecciosos ou não infecciosos. Causas não infecciosas comuns incluem pancreatite aguda, grandes traumas, queimaduras extensas, isquemia tecidual ou grandes procedimentos cirúrgicos. Portanto, um paciente pode preencher critérios de SIRS sem apresentar qualquer processo infeccioso. Historicamente, a sepse era definida como a presença de SIRS desencadeada por um foco infeccioso suspeito ou confirmado. No entanto, as definições atuais (Sepsis-3) abandonaram a SIRS em favor do escore SOFA para definir sepse como disfunção orgânica ameaçadora à vida.

Por que o desvio à esquerda é considerado na SIRS?

O desvio à esquerda, caracterizado pela presença de mais de 10% de formas imaturas de neutrófilos (bastonetes) no sangue periférico, indica uma liberação acelerada de leucócitos pela medula óssea em resposta a estímulos inflamatórios agudos e intensos. Mesmo que a contagem total de leucócitos esteja dentro da faixa de normalidade (entre 4.000 e 12.000/mm³), a presença significativa de bastonetes sinaliza que o sistema imunológico está sob estresse e recrutando células jovens para combater um insulto sistêmico, justificando sua inclusão como um critério laboratorial independente para a definição de resposta inflamatória sistêmica.

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