SRAG e COVID-19: Diagnóstico e Manejo em Residentes

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 39 anos, obeso e dislipidêmico, procurou atendimento médico ambulatorial devido sensação de febre (não medida), tosse seca e odinofagia há seis dias. Recebeu medicação sintomática e aconselhamento para manter-se em repouso relativo domiciliar. Dois dias após o atendimento inicial, necessitou internação hospitalar por piora clínica, tosse mais acentuada e dispneia em repouso. Exame físico: regular estado geral, corado, hidratado, anictérico, acianótico e taquipneico leve; PA = 120 x 80 mmHg; SpO₂ em ar ambiente = 86%; ausculta pulmonar com estertores difusos e com tiragem intercostal leve. Foi realizada tomografia de tórax, conforme ilustração a seguir.Com base no caso clínico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Trata-se de uma síndrome respiratória aguda grave em que a etiologia bacteriana é a mais provável.
  2. B) A coleta de swab nasal e pesquisa do SARSCOV-2 é mandatória e o paciente deve permanecer internado.
  3. C) A hemocultura é fundamental para o diagnóstico etiológico nesse caso.
  4. D) A realização de pulsoterapia com corticoide por 5 dias é o tratamento padrão.
  5. E) O paciente deve receber prednisona oral, azitromicina e inalações com broncodilatadores, em regime de tratamento ambulatorial.

Pérola Clínica

Paciente com SRAG, hipoxemia e fatores de risco (obesidade) → alta suspeita de COVID-19, testagem e internação.

Resumo-Chave

O quadro clínico de piora progressiva de sintomas respiratórios, dispneia em repouso, hipoxemia (SpO2 86%) e achados na TC de tórax (mesmo sem a imagem, o contexto sugere infiltrados) em um paciente com fatores de risco (obesidade) é altamente sugestivo de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com COVID-19 como principal etiologia a ser investigada. A testagem para SARS-CoV-2 é crucial para o diagnóstico e manejo.

Contexto Educacional

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) é uma condição clínica caracterizada por insuficiência respiratória aguda que pode ser causada por diversas etiologias, sendo as infecções virais, como a causada pelo SARS-CoV-2 (COVID-19), uma das mais prevalentes e importantes. Pacientes com fatores de risco como obesidade e dislipidemia têm maior probabilidade de desenvolver formas graves da doença, necessitando de atenção e manejo hospitalar. A fisiopatologia da SRAG na COVID-19 envolve uma resposta inflamatória desregulada que leva a danos pulmonares difusos, resultando em hipoxemia e desconforto respiratório. O diagnóstico baseia-se na apresentação clínica, exames laboratoriais (gasometria, marcadores inflamatórios) e de imagem (radiografia e tomografia de tórax, que podem mostrar infiltrados bilaterais, opacidades em vidro fosco). A suspeita deve ser alta em pacientes com sintomas respiratórios progressivos e hipoxemia. O tratamento da SRAG por COVID-19 é de suporte, incluindo oxigenoterapia, ventilação mecânica se necessário, e medicamentos específicos como dexametasona para reduzir a inflamação e antivirais como remdesivir em casos selecionados. A internação é mandatória para pacientes com hipoxemia e desconforto respiratório. A coleta de swab nasal para pesquisa de SARS-CoV-2 por RT-PCR é crucial para confirmar a etiologia e guiar as medidas de isolamento e tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para definir Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)?

SRAG é definida por síndrome gripal (febre, tosse, dor de garganta, etc.) acompanhada de dispneia, desconforto respiratório ou SpO2 < 95% em ar ambiente, ou pressão arterial sistólica < 90 mmHg.

Por que a coleta de swab nasal para SARS-CoV-2 é mandatória nesse caso?

A coleta é mandatória porque o quadro clínico, com piora progressiva, hipoxemia e fatores de risco, é altamente sugestivo de COVID-19 grave, e a confirmação etiológica é essencial para o tratamento específico e medidas de controle de infecção.

Quais são os principais fatores de risco para COVID-19 grave?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, doenças pulmonares crônicas, imunossupressão e dislipidemia, como no caso do paciente.

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