CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2012
Qual o diagnóstico do paciente que apresenta uveíte anterior e os seguintes achados nos pés?
Uveíte anterior + Artrite + Uretrite + Lesões cutâneas (pés) = Síndrome de Reiter.
A Síndrome de Reiter (Artrite Reativa) apresenta uma tríade clássica associada a lesões cutâneas específicas, como a ceratodermia blenorrágica nos pés.
A Artrite Reativa é uma resposta autoimune desencadeada por uma infecção distante. Ela faz parte do grupo das espondiloartropatias soronegativas, caracterizadas pela ausência de Fator Reumatoide e forte ligação com o HLA-B27. A fisiopatologia envolve o mimetismo molecular entre antígenos bacterianos e tecidos do hospedeiro. Na prática oftalmológica, o reconhecimento das manifestações sistêmicas é crucial. A presença de lesões cutâneas como a ceratodermia blenorrágica em um paciente com uveíte anterior direciona o diagnóstico para Reiter. O manejo é multidisciplinar, envolvendo o oftalmologista para o controle da inflamação ocular e o reumatologista para o tratamento da artrite e vigilância de recorrências sistêmicas.
A Síndrome de Reiter, hoje mais comumente chamada de Artrite Reativa, é uma espondiloartropatia soronegativa que classicamente se manifesta com a tríade: artrite, uretrite e conjuntivite (ou uveíte). Ela geralmente ocorre após uma infecção gastrointestinal (por Salmonella, Shigella ou Yersinia) ou urogenital (por Chlamydia). Além da tríade, achados cutâneos são comuns, como a ceratodermia blenorrágica (lesões vesiculopustulares hiperceratósicas nas palmas e solas) e a balanite circinada. A associação com o antígeno HLA-B27 é muito forte, presente em até 80% dos casos.
A uveíte associada à Síndrome de Reiter é tipicamente uma uveíte anterior aguda, unilateral e não granulomatosa. O paciente apresenta dor ocular súbita, fotofobia e hiperemia conjuntival. Ao exame na lâmpada de fenda, observam-se células e flare na câmara anterior, além de precipitados ceráticos finos. Diferente da uveíte da Artrite Idiopática Juvenil, que é crônica e assintomática, a uveíte nas espondiloartropatias é episódica e recorrente, podendo alternar entre os olhos. O tratamento envolve corticoides tópicos e cicloplégicos para evitar sinéquias posteriores.
Os principais diferenciais incluem outras espondiloartropatias soronegativas HLA-B27 positivas, como a Espondilite Anquilosante, a Artrite Psoriásica e a Artrite Enteropática (associada à Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa). A Espondilite Anquilosante foca mais na coluna e sacroilíacas, sem as lesões cutâneas típicas de Reiter. A Artrite Psoriásica apresenta placas de psoríase e dactilite ('dedo em salsicha'). A Sífilis (Lues) também deve ser considerada, pois pode causar uveíte e lesões palmoplantares, mas os testes sorológicos (VDRL/FTA-Abs) ajudam na distinção.
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