CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009
Com relação às manifestações oculares na síndrome de recuperação imune, é correto afirmar:
Recuperação imune (HAART) + CMV prévio → Vitreíte intensa (Uveíte de Recuperação Imune).
A Uveíte de Recuperação Imune (URI) ocorre em pacientes HIV+ que apresentam melhora do status imunológico após o início do HAART, manifestando-se com vitreíte intensa.
A introdução da terapia antirretroviral de alta eficácia (HAART) mudou drasticamente o curso da AIDS, mas trouxe novos desafios como a Síndrome de Recuperação Imune. Na oftalmologia, a URI é a manifestação mais comum dessa síndrome, afetando pacientes que tiveram retinite por CMV. O quadro clínico é marcado por uma inflamação intraocular que não é causada pela replicação viral ativa, mas sim pela resposta imune do hospedeiro contra antígenos residuais. O prognóstico visual pode ser reservado se houver desenvolvimento de edema macular cistoide crônico. O diagnóstico diferencial com a progressão da retinite por CMV é essencial, pois o tratamento de uma (corticoides) é o oposto da outra (antivirais).
A URI é uma manifestação da Síndrome Inflamatória de Recuperação Imune (IRIS) no olho. Ela ocorre em pacientes com AIDS e retinite por CMV previamente inativa que iniciam a terapia antirretroviral (HAART). Com a recuperação dos níveis de linfócitos T CD4+ (geralmente acima de 100 células/mm³), o sistema imunológico 'redescobre' os antígenos virais do CMV ainda presentes no olho, desencadeando uma resposta inflamatória vigorosa contra eles.
O sinal cardeal é a vitreíte moderada a intensa, que pode causar queixa de 'moscas volantes' e embaçamento visual. Outros achados incluem edema macular cistoide (uma das principais causas de perda visual nesses pacientes), formação de membranas epirretinianas e, ocasionalmente, papilite ou uveíte anterior. É fundamental notar que a retinite por CMV subjacente deve estar cicatrizada/inativa para o diagnóstico de URI.
O tratamento foca no controle da inflamação intraocular. Corticoides tópicos, perioculares (como injeção de triancinolona) ou até intravítreos podem ser utilizados, dependendo da gravidade da vitreíte e da presença de edema macular. Em casos muito graves, corticoides sistêmicos podem ser necessários. É crucial garantir que a retinite por CMV não esteja ativa antes de iniciar a corticoterapia, para evitar a reativação viral fulminante.
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