SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Homem, 40 anos de idade, sem comorbidades e assintomático, realizou sorologia para HIV, que foi positiva (confirmada por segundo método). A carga viral é menor que 100 cópias/mL, e o CD4 é maior de 250 células/mm³. Foi iniciada terapia antirretroviral e, após 4 semanas, paciente apresenta reativação de herpes simples, sem outros sintomas. Carga viral indetectável e CD4 maior que 350 células/mm³. Assinale a alternativa correspondente à conduta adequada em relação à TARV:
SIRI (Síndrome de Reconstituição Imune) → Manter TARV + Tratar a infecção oportunista específica.
A reativação de herpes após início da TARV com melhora laboratorial (↑CD4, ↓CV) caracteriza a Síndrome de Reconstituição Imune (SIRI); a conduta é manter a TARV e tratar o herpes.
A Síndrome de Reconstituição Imune (SIRI) é um desafio comum no início do tratamento do HIV. Ela reflete paradoxalmente o sucesso da Terapia Antirretroviral (TARV), ocorrendo quando o sistema imunológico recuperado começa a combater infecções oportunistas pré-existentes. No caso clínico, o paciente apresentou aumento de CD4 e carga viral indetectável em apenas 4 semanas, o que é um cenário clássico para SIRI. O herpes simples é uma das manifestações mais frequentes de SIRI 'desmascarada'. É fundamental que o médico reconheça que o surgimento das lesões não indica falha da TARV, mas sim uma resposta imune vigorosa. O tratamento deve focar na infecção oportunista (aciclovir para o herpes) enquanto se mantém a TARV inalterada. O uso de corticoides é reservado para formas graves de SIRI (como em casos de tuberculose ou criptococose com edema cerebral), o que não se aplica a uma reativação cutânea de herpes simples.
A SIRI é um fenômeno inflamatório que ocorre em pacientes com HIV após o início da Terapia Antirretroviral (TARV). Com a queda da carga viral e o aumento dos linfócitos T CD4+, o sistema imune recupera a capacidade de responder a antígenos de patógenos oportunistas (vivos ou mortos) que já estavam presentes no organismo. Isso resulta em uma resposta inflamatória exacerbada, que pode se manifestar como o 'desmascaramento' de uma infecção latente ou o 'agravamento' de uma infecção já em tratamento.
A suspensão da TARV interrompe o processo de recuperação imunológica e permite que a carga viral do HIV volte a subir, o que é contraproducente. Na maioria dos casos de SIRI, como na reativação de herpes simples ou herpes zoster, a conduta correta é manter os antirretrovirais e tratar a infecção oportunista com a medicação específica (ex: aciclovir). A suspensão só é considerada em casos raríssimos de SIRI grave com risco de vida, como acometimento neurológico central refratário ou insuficiência respiratória grave.
O diagnóstico é clínico e laboratorial, baseado em: 1) Início recente da TARV (geralmente nas primeiras 4 a 12 semanas); 2) Melhora laboratorial documentada (aumento significativo de CD4 e/ou queda rápida da carga viral); 3) Manifestações inflamatórias consistentes com uma infecção oportunista ou condição inflamatória; e 4) Exclusão de outras causas como toxicidade medicamentosa, falha terapêutica da TARV ou novas infecções adquiridas.
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