HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2024
Lactente 4 meses foi levado ao hospital após ser encontrado em casa por vizinhos sob cuidados da irmã de 3 anos. Chegou desnutrida grave de aspecto marasmático com peso atual 3,1 Kg e encaminhada para internação. Após cinco dias de realimentação, evoluiu com fraqueza muscular, mialgia, parestesia, taquipneia, sinais clínicos de insuficiência cardíaca, plaquetopenia e hemólise. Trata-se de distúrbio metabólico causado pelo:
Desnutrido grave + realimentação rápida → Síndrome de Realimentação, com hipofosfatemia chave.
A síndrome de realimentação ocorre em pacientes desnutridos graves que recebem realimentação rápida, levando a um shift intracelular de eletrólitos, principalmente fósforo, potássio e magnésio. A hipofosfatemia é a alteração mais característica e responsável por muitas das manifestações clínicas graves.
A síndrome de realimentação é uma complicação potencialmente fatal que pode ocorrer em pacientes gravemente desnutridos quando a alimentação é reintroduzida rapidamente. Caracteriza-se por distúrbios hidroeletrolíticos e metabólicos, resultantes de um rápido shift de fluidos e eletrólitos do espaço extracelular para o intracelular. É crucial reconhecer os pacientes em risco, como o lactente marasmático do caso. A fisiopatologia central envolve a mudança do metabolismo de gordura para carboidratos com a realimentação, levando a um aumento da secreção de insulina. Isso promove a captação celular de glicose, potássio, magnésio e, crucialmente, fósforo. A hipofosfatemia é a marca registrada da síndrome e é responsável por muitas das manifestações clínicas, como fraqueza muscular, insuficiência cardíaca, arritmias, hemólise e plaquetopenia, como observado no caso. O manejo e a prevenção da síndrome de realimentação exigem uma abordagem cuidadosa. A realimentação deve ser iniciada de forma gradual, com monitoramento frequente dos eletrólitos (fósforo, potássio, magnésio) e reposição agressiva conforme necessário. A taxa de infusão calórica deve ser aumentada progressivamente, e a suplementação de tiamina também é recomendada para prevenir a encefalopatia de Wernicke.
Os eletrólitos mais afetados são o fósforo (hipofosfatemia), o potássio (hipocalemia) e o magnésio (hipomagnesemia), devido ao rápido influxo intracelular durante a realimentação.
O fósforo é crucial para a produção de ATP. Sua queda abrupta leva à depleção de energia celular, causando fraqueza muscular, insuficiência cardíaca, arritmias, hemólise e disfunção de múltiplos órgãos.
A prevenção envolve a realimentação gradual e cautelosa, com monitoramento rigoroso dos eletrólitos (fósforo, potássio, magnésio) e reposição profilática, especialmente nas primeiras 24-72 horas.
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