Síndrome de Realimentação: Fisiopatologia e Manejo

UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015

Enunciado

Daiane, 20 anos, chega à enfermaria após ter sido submetida à cesariana há 30 dias e há 15 dias à apendicectomia. Apresenta saída de secreção intestinal pela ferida cirúrgica, mediana, e deiscência parcial da mesma, sem visão de alça intestinal exposta ou mucosa visível. Está desnutrida, com distúrbios hidroeletrolíticos, apresentando diurese baixa, potássio sérico de 3,0 mEq/L e cálcio de 10 mg/dl. Assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A hipofosfatemia e a hipocalemia devem ser corrigidas ao mesmo tempo em que é feito o aporte nutricional, de preferência no mesmo frasco que a Nutrição Parenteral.
  2. B) A hipofosfatemia, após o início da terapia nutricional, deve-se ao transporte do fósforo para o intracelular, juntamente com a glicose e a água.
  3. C) A primeira opção de terapia nutricional para esta paciente é a nutrição enteral, por sonda enteral posicionada abaixo do piloro.
  4. D) A Tiamina e a Vitamina C devem ser repostas antes do início do suporte nutricional.
  5. E) Assim que a fístula estiver drenando entre 400 e 500 ml/dia, a nutrição oral pode ser reestabelecida.

Pérola Clínica

Hipofosfatemia pós-nutrição → síndrome de realimentação por shift intracelular de fósforo.

Resumo-Chave

A síndrome de realimentação é uma complicação grave da terapia nutricional em pacientes desnutridos. A hipofosfatemia é uma de suas marcas, ocorrendo devido ao aumento da demanda metabólica e ao transporte de fósforo para o compartimento intracelular com a glicose e a água, resultando em depleção sérica.

Contexto Educacional

A paciente apresenta um quadro complexo de desnutrição, fístula enterocutânea e distúrbios hidroeletrolíticos, com risco elevado de síndrome de realimentação. Esta síndrome é uma complicação potencialmente fatal que ocorre quando o suporte nutricional é iniciado em pacientes gravemente desnutridos, levando a shifts metabólicos e eletrolíticos abruptos. A hipofosfatemia é um dos marcadores mais importantes e perigosos. A fisiopatologia da hipofosfatemia na síndrome de realimentação envolve a rápida introdução de carboidratos, que estimula a liberação de insulina. A insulina, por sua vez, promove a captação celular de glicose, potássio, magnésio e fósforo para a síntese de ATP e outras vias metabólicas. Isso resulta em uma rápida depleção dos níveis séricos desses eletrólitos, especialmente o fósforo, que é vital para a função celular. O manejo desses pacientes exige correção cuidadosa dos distúrbios eletrolíticos antes e durante o início gradual da terapia nutricional. A reposição de tiamina é fundamental antes da realimentação para prevenir complicações neurológicas. A nutrição parenteral é frequentemente a primeira escolha em fístulas de alto débito ou quando a via enteral não é viável, mas a nutrição enteral deve ser tentada sempre que possível, preferencialmente distal à fístula, para manter a integridade da mucosa intestinal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais distúrbios eletrolíticos da síndrome de realimentação?

Os principais distúrbios eletrolíticos da síndrome de realimentação são hipofosfatemia, hipocalemia e hipomagnesemia, além de retenção hídrica e deficiência de tiamina.

Por que a hipofosfatemia ocorre após o início da terapia nutricional?

A hipofosfatemia ocorre porque a oferta de carboidratos estimula a secreção de insulina, que promove a captação de glicose, potássio, magnésio e fósforo pelas células para o metabolismo energético, depletando os níveis séricos de fósforo.

Qual a importância da tiamina antes do suporte nutricional em pacientes desnutridos?

A tiamina é um cofator essencial no metabolismo da glicose. Sua reposição antes do início do suporte nutricional é crucial para prevenir a encefalopatia de Wernicke, especialmente em pacientes com risco de deficiência.

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