Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Um paciente usuário de drogas ilícitas comparece ao ambulatório com queixa de disfagia de condução e perda de peso (10% do peso em 4 meses). Durante investigação do caso, a endoscopia digestiva alta evidenciou uma massa vegetante em terço médio do esôfago cuja biópsia trouxe o diagnóstico de carcinoma espinocelular de esôfago. Procedeu-se então o estadiamento: T2N0M0, sendo indicada a cirurgia. Sabendo do grande porte cirúrgico e das condições nutricionais do paciente, foi indicada terapia nutricional pré-operatória por 15 dias, através de Nutrição Enteral. No entanto, no 4º dia de internação o paciente evoluiu com edema agudo de pulmão e arritmias cardíacas complexas, sendo conduzido à UTI. Sobre a situação descrita, pode-se afirmar que
Paciente desnutrido em terapia nutricional → risco síndrome realimentação. Monitorar eletrólitos (Mg, P, K) diariamente é crucial.
A síndrome de realimentação é uma complicação grave em pacientes desnutridos que recebem terapia nutricional intensiva, caracterizada por distúrbios eletrolíticos (hipofosfatemia, hipomagnesemia, hipocalemia) que podem levar a arritmias e edema agudo de pulmão. O monitoramento diário do magnésio é essencial.
A síndrome de realimentação é uma complicação potencialmente fatal que pode ocorrer em pacientes gravemente desnutridos ao iniciar a terapia nutricional, seja enteral ou parenteral. Caracteriza-se por distúrbios hidroeletrolíticos e metabólicos, como hipofosfatemia, hipomagnesemia e hipocalemia, que resultam da rápida mudança do metabolismo de gorduras para carboidratos. Essa mudança leva a um aumento da secreção de insulina, que promove a captação intracelular de glicose, água, eletrólitos e vitaminas, causando depleção sérica. No caso do paciente com carcinoma de esôfago e perda de peso significativa, a desnutrição é um fator de risco elevado para a síndrome de realimentação. Os sintomas de edema agudo de pulmão e arritmias cardíacas complexas são manifestações clássicas dessa síndrome, decorrentes principalmente da hipofosfatemia e hipomagnesemia, que afetam a função cardíaca e respiratória. Para prevenir e manejar essa condição, é crucial iniciar a terapia nutricional de forma gradual, oferecendo inicialmente uma porcentagem menor das necessidades calóricas (ex: 50-75% nos primeiros dias) e aumentando progressivamente. O monitoramento diário dos eletrólitos séricos, especialmente magnésio, fósforo e potássio, é indispensável, pois suas depleções podem ser rápidas e graves. A suplementação desses eletrólitos e de tiamina deve ser realizada antes e durante a realimentação para evitar as complicações.
Os principais eletrólitos envolvidos são fósforo (hipofosfatemia), potássio (hipocalemia) e magnésio (hipomagnesemia), que se deslocam para o intracelular com o início da oferta de carboidratos.
As manifestações incluem arritmias cardíacas, edema agudo de pulmão, fraqueza muscular, convulsões, insuficiência respiratória e coma, devido aos distúrbios eletrolíticos e hídricos.
A prevenção envolve iniciar a terapia nutricional de forma lenta e progressiva (ex: 50-75% das necessidades calóricas nos primeiros dias), com suplementação prévia de eletrólitos e vitaminas (especialmente tiamina) e monitoramento diário dos eletrólitos.
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