Terapia Nutricional Pós-Operatória: Síndrome de Realimentação

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Em relação à terapia nutricional no pós-operatório, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A síndrome de realimentação é uma condição potencialmente fatal que pode ocorrer após o início da terapia nutricional enteral ou parenteral em pacientes que permaneceram longo período em jejum. O achado laboratorial mais característico dessa síndrome é a hipofosfatemia.
  2. B) A nutrição parenteral total auxilia na manutenção da barreira intestinal, reduzindo a incidência de translocação bacteriana.
  3. C) Após uma injúria aguda, ocorre a chamada “Resposta Metabólica ao Trauma”, uma síndrome de resposta inflamatória sistêmica caracterizada por intenso anabolismo, momento em que a terapia nutricional é fundamental.
  4. D) A terapia nutricional enteral no pós-operatório (na ausência de contraindicações) deve ser iniciada precocemente somente após sinais objetivos do funcionamento intestinal.

Pérola Clínica

Síndrome de realimentação = hipofosfatemia + hipocalemia + hipomagnesemia em pacientes desnutridos realimentados.

Resumo-Chave

A síndrome de realimentação é uma complicação grave da terapia nutricional em pacientes desnutridos, caracterizada por distúrbios eletrolíticos, principalmente hipofosfatemia, devido ao rápido influxo de glicose e eletrólitos para o intracelular.

Contexto Educacional

A terapia nutricional no pós-operatório é crucial para a recuperação de pacientes cirúrgicos, especialmente aqueles em risco de desnutrição. A síndrome de realimentação é uma complicação potencialmente fatal que pode ocorrer quando pacientes cronicamente desnutridos recebem realimentação agressiva. É vital reconhecer os fatores de risco e os sinais precoces para prevenir desfechos adversos. A síndrome de realimentação é caracterizada por distúrbios eletrolíticos e metabólicos, sendo a hipofosfatemia o achado laboratorial mais marcante. Outros eletrólitos como potássio e magnésio também podem diminuir. Isso ocorre devido ao aumento da secreção de insulina em resposta à oferta de carboidratos, que promove o influxo intracelular de glicose, fosfato, potássio e magnésio. A nutrição enteral é preferível à parenteral, pois mantém a integridade da barreira intestinal e reduz o risco de translocação bacteriana. A nutrição enteral precoce, dentro de 24-48 horas após a cirurgia, é recomendada, mesmo na ausência de sinais objetivos de peristalse, desde que não haja contraindicações. A resposta metabólica ao trauma é uma fase catabólica, e a terapia nutricional visa atenuar essa resposta e promover o anabolismo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais da síndrome de realimentação?

Os achados laboratoriais mais característicos são hipofosfatemia, hipocalemia e hipomagnesemia, além de alterações nos níveis de glicose e tiamina, devido ao aumento da demanda metabólica intracelular.

Quando a terapia nutricional enteral deve ser iniciada no pós-operatório?

A terapia nutricional enteral deve ser iniciada precocemente (24-48h) no pós-operatório, na ausência de contraindicações, independentemente da presença de ruídos hidroaéreos, para manter a integridade da barreira intestinal.

Qual o impacto da nutrição parenteral total na barreira intestinal?

A nutrição parenteral total, ao não estimular o trato gastrointestinal, pode levar à atrofia da mucosa intestinal e comprometer a barreira, aumentando o risco de translocação bacteriana e infecções.

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