Síndrome de Realimentação: Prevenção e Manejo na NP

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021

Enunciado

Pedro 38 anos, com apendicite aguda complicada, seguida de múltiplas laparotomias exploradoras que evoluíram com fístulas intestinais de alto débito. Encontra-se em regular estado geral, com índice de massa corpórea de 11,8 kg/m². Calculado o gasto basal de energia: 1500 kcal. Foi proposto iniciar dieta parenteral. Qual é o aporte calórico que deve ser prescrito neste momento e quais são os distúrbios eletrolíticos mais prováveis após o início do tratamento?

Alternativas

  1. A) 450 kcal; hipofosfatemia e hipopotassemia.
  2. B) 450 kcal; hipocalcemia e hiponatremia.
  3. C) 1500 kcal; hipofosfatemia e hipopotassemia.
  4. D) 1500 kcal; hiperfosfatemia e hiperpotassemia.
  5. E) 1500 kcal; hipocalcemia e hiponatremia.

Pérola Clínica

Desnutrição grave + início de nutrição parenteral → risco de Síndrome de Realimentação; iniciar aporte calórico baixo (25-50% do gasto basal) e monitorar eletrólitos (hipofosfatemia, hipopotassemia).

Resumo-Chave

Pacientes gravemente desnutridos, como Pedro (IMC 11,8), ao iniciar a nutrição parenteral, têm alto risco de Síndrome de Realimentação. O aporte calórico deve ser iniciado de forma gradual e baixa (25-50% do gasto basal) para evitar distúrbios eletrolíticos graves, principalmente hipofosfatemia, hipopotassemia e hipomagnesemia.

Contexto Educacional

A Síndrome de Realimentação é uma complicação potencialmente fatal que pode ocorrer em pacientes gravemente desnutridos ao iniciar a nutrição, seja enteral ou parenteral. Caracteriza-se por distúrbios metabólicos e eletrolíticos, como hipofosfatemia, hipopotassemia e hipomagnesemia, resultantes da mudança do metabolismo de gorduras para carboidratos. O caso de Pedro, com IMC de 11,8 kg/m² e fístulas de alto débito, indica desnutrição grave e alto risco para essa síndrome. A fisiopatologia da Síndrome de Realimentação envolve a secreção de insulina em resposta à oferta de carboidratos, que estimula a captação intracelular de glicose, fosfato, potássio e magnésio. Em pacientes desnutridos, os estoques desses eletrólitos estão depletados, e a rápida captação pode levar a níveis séricos perigosamente baixos. A hipofosfatemia, em particular, pode causar disfunção cardíaca, respiratória e neurológica. A hipopotassemia e hipomagnesemia também contribuem para arritmias e fraqueza muscular. Para prevenir a Síndrome de Realimentação, o aporte calórico deve ser iniciado de forma gradual e baixa, tipicamente 25-50% do gasto energético basal ou 10-15 kcal/kg/dia, com aumento progressivo ao longo de vários dias. No caso de Pedro, com gasto basal de 1500 kcal, um aporte inicial de 450 kcal (30% de 1500) é apropriado. É crucial monitorar rigorosamente os eletrólitos (fosfato, potássio, magnésio, cálcio) e repô-los proativamente antes e durante o início da nutrição. Residentes devem estar cientes dessa síndrome para garantir a segurança do paciente em terapia nutricional.

Perguntas Frequentes

O que é a Síndrome de Realimentação e quais são seus riscos?

A Síndrome de Realimentação é uma complicação metabólica potencialmente fatal que ocorre ao iniciar a nutrição em pacientes gravemente desnutridos. Os riscos incluem arritmias cardíacas, insuficiência respiratória, fraqueza muscular e disfunção neurológica, devido a distúrbios eletrolíticos como hipofosfatemia, hipopotassemia e hipomagnesemia.

Qual o aporte calórico inicial recomendado para pacientes desnutridos graves?

Para pacientes gravemente desnutridos, o aporte calórico inicial recomendado é baixo e gradual, tipicamente 10-15 kcal/kg/dia ou 25-50% do gasto energético basal. Esse aporte deve ser aumentado progressivamente ao longo de vários dias, com monitoramento rigoroso dos eletrólitos.

Quais distúrbios eletrolíticos são mais comuns na Síndrome de Realimentação?

Os distúrbios eletrolíticos mais comuns e clinicamente significativos na Síndrome de Realimentação são hipofosfatemia, hipopotassemia e hipomagnesemia. A hipofosfatemia é particularmente perigosa, podendo levar a disfunção de múltiplos órgãos e sistemas.

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