IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2023
Um homem de 40 anos apresenta edema e parestesia nos membros inferiores, acompanhados de dispneia e cefaleia diária há 4 semanas. Ao exame, observam-se PA = 220x160mmhHg e congestão pulmonar. Apresenta hemoglobina = 5g/dL, ureia = 230mg/dL, creatinina = 6mg/dL e sedimento urinário com hematúria dismórfica. Em 24 horas, evoluiu com insuficiência respiratória, hemoptise, mesmo após hemodiálise e hemotransfusão. Quais são as principais hipóteses diagnósticas e condutas nesse caso?
Síndrome pulmão-rim (IR + hemoptise + hematúria dismórfica) → vasculite ANCA-associada; tratar com pulsoterapia + ciclofosfamida ± plasmaférese.
O quadro clínico de insuficiência renal aguda grave, hipertensão maligna, anemia e hemorragia alveolar (dispneia, hemoptise) é altamente sugestivo de síndrome pulmão-rim, com destaque para as vasculites ANCA-associadas como a granulomatose com poliangiite. O tratamento é agressivo e visa controlar a inflamação e preservar a função orgânica.
A síndrome pulmão-rim representa uma emergência médica grave, caracterizada pela combinação de glomerulonefrite rapidamente progressiva e hemorragia alveolar. É crucial para o residente reconhecer este quadro devido à sua alta morbimortalidade e à necessidade de intervenção terapêutica imediata. As principais etiologias incluem as vasculites ANCA-associadas, como a granulomatose com poliangiite e a poliangiite microscópica, e a doença anti-membrana basal glomerular (síndrome de Goodpasture). A fisiopatologia envolve um processo inflamatório sistêmico que afeta simultaneamente os capilares pulmonares e os glomérulos renais, resultando em dano tecidual e disfunção orgânica. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica, exames laboratoriais (incluindo pesquisa de ANCA e anti-MBG), e frequentemente requer biópsia renal ou pulmonar para confirmação histopatológica. A suspeita deve ser alta em pacientes com insuficiência renal aguda, hematúria dismórfica e manifestações pulmonares como hemoptise e dispneia. O tratamento é agressivo e visa suprimir a resposta autoimune e controlar a inflamação. Geralmente inclui pulsoterapia com corticosteroides (metilprednisolona), ciclofosfamida e, em casos selecionados, plasmaférese para remover autoanticorpos circulantes. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento, sendo fundamental a abordagem multidisciplinar para otimizar os resultados e minimizar sequelas.
A síndrome pulmão-rim é caracterizada pela tríade de insuficiência renal aguda (com hematúria dismórfica e proteinúria), hemorragia alveolar (com hemoptise e dispneia) e anemia. Outros sintomas sistêmicos como febre, perda de peso e artralgia podem estar presentes.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica e respiratória, além de investigação diagnóstica rápida (exames laboratoriais, sorologias para ANCA, biópsia renal/pulmonar). O tratamento empírico com pulsoterapia de metilprednisolona e ciclofosfamida deve ser iniciado precocemente, e a plasmaférese pode ser considerada em casos graves.
As principais causas incluem vasculites ANCA-associadas (granulomatose com poliangiite, poliangiite microscópica) e síndrome de Goodpasture. A diferenciação é feita pela pesquisa de autoanticorpos (ANCA e anti-MBG) e biópsia, que revelará padrões histopatológicos distintos.
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