Síndrome de Pseudoesfoliação: Aspectos Clínicos e Cirúrgicos

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2022

Enunciado

Sobre a figura abaixo, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Sinéquias posteriores são comuns.
  2. B) O risco de desenvolver essa doença diminui com a idade.
  3. C) A grande maioria dos casos tem transmissão autossômica dominante.
  4. D) A prevalência dessa síndrome em um olho com glaucoma depende da população estudada, sendo mais comum em países escandinavos.

Pérola Clínica

Pseudoesfoliação → Material esbranquiçado na cápsula anterior + fragilidade zonular + risco ↑ glaucoma.

Resumo-Chave

A síndrome de pseudoesfoliação é uma doença sistêmica caracterizada pelo depósito de material fibrilar extracelular, com prevalência variando drasticamente conforme a etnia.

Contexto Educacional

A síndrome de pseudoesfoliação (PEX) é caracterizada pela produção e acúmulo de material fibrilar esbranquiçado no segmento anterior do olho, visível principalmente na borda pupilar e na cápsula anterior do cristalino (formando um padrão em alvo). Sua prevalência é notavelmente alta em países escandinavos, chegando a 25% da população idosa em certas regiões. Fisiopatologicamente, o material PEX obstrui o trabeculado, levando ao glaucoma secundário de ângulo aberto. Além do glaucoma, a PEX é um fator de risco crítico para complicações em cirurgias intraoculares devido à instabilidade do aparelho zonular. O diagnóstico é clínico, via biomicroscopia sob midríase, sendo essencial a busca por depósitos de pigmento no ângulo (linha de Sampaolesi) e sinais de fragilidade zonular (facodonese).

Perguntas Frequentes

Qual a importância cirúrgica da pseudoesfoliação na catarata?

A síndrome de pseudoesfoliação causa fragilidade zonular e má dilatação pupilar. Durante a cirurgia de catarata, isso aumenta significativamente o risco de diálise zonular, ruptura de cápsula posterior e luxação do cristalino ou da lente intraocular para o vítreo. O cirurgião deve estar preparado para usar anéis de expansão capsular e ganchos de íris.

Como o glaucoma pseudoesfoliativo se diferencia do glaucoma primário de ângulo aberto?

O glaucoma pseudoesfoliativo tende a ser mais agressivo, com pressões intraoculares mais elevadas no diagnóstico, maior flutuação da PIO e progressão mais rápida do dano ao nervo óptico. Além disso, a resposta ao tratamento clínico pode ser menos sustentada, exigindo intervenções cirúrgicas ou laser (SLT) mais precocemente.

A pseudoesfoliação é uma doença exclusivamente ocular?

Não, é uma microfibrilopatia sistêmica. O material pseudoesfoliativo já foi identificado em órgãos como coração, pulmões, fígado e rins. Estudos sugerem associações com doenças cardiovasculares, como aneurisma de aorta abdominal e perda auditiva neurossensorial, embora a manifestação clínica mais grave ocorra no olho.

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