CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
Mulher com 74 anos de idade, com catarata nuclear, apresenta depósito de pigmento fusiforme no endotélio da córnea e material acinzentado na cápsula anterior do cristalino, formando um disco central e uma banda periférica, intercalados por zona lúcida. A cirurgia de catarata torna-se mais difícil por:1. Fragilidade da zônula 2. Maior instabilidade da câmara anterior 3. Dificuldade de dilatação pupilar 4. Maior risco de efusão coroidalSão afirmativas verdadeiras:
Pseudoesfoliação → ↑ Risco de rotura zonular e má dilatação pupilar na facoemulsificação.
A deposição de material fibrilar causa fraqueza nos ligamentos suspensores do cristalino e atrofia do esfíncter da íris, dificultando a cirurgia de catarata.
A síndrome de pseudoesfoliação (PEX) é uma das causas mais comuns de complicações intraoperatórias na cirurgia de catarata. O material fibrilar patológico causa uma zonulopatia progressiva, que pode levar à luxação do cristalino para a câmara vítrea ou descentração da lente intraocular no pós-operatório. Além da fragilidade zonular, a disfunção do músculo dilatador da íris resulta em midríase pobre, aumentando o risco de ruptura da cápsula posterior. O reconhecimento pré-operatório dos sinais de PEX é crucial para o planejamento cirúrgico, incluindo a disponibilidade de anéis de tensão capsular e dispositivos de expansão pupilar.
Clinicamente, observa-se material esbranquiçado/acinzentado na borda pupilar e na cápsula anterior do cristalino (com padrão clássico de disco central e banda periférica). Também pode haver depósitos de pigmento no endotélio (fuso de Krukenberg) e na linha de Sampaolesi no ângulo camerular.
A síndrome de pseudoesfoliação é uma desordem sistêmica da matriz extracelular. O material pseudoesfoliativo se deposita e infiltra as fibras zonulares e sua inserção na cápsula do cristalino, causando degeneração e enfraquecimento elástico, o que predispõe à subluxação do cristalino e facodonese.
Devido à infiltração do estroma iriano e isquemia, a pupila não dilata bem com midriáticos padrão. O cirurgião pode precisar de manobras mecânicas, como o uso de ganchos de íris ou anéis de expansão pupilar (ex: anel de Malyugin), para garantir visualização adequada durante a cirurgia.
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