CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2021
Sobre a doença relacionada com os achados da figura, assinale a correta.
Pseudoesfoliação → ↑ risco de rotura zonular e midríase pobre na cirurgia de catarata.
A síndrome de pseudoesfoliação é uma doença sistêmica com depósitos fibrilares que fragilizam a zônula de Zinn e dificultam a dilatação pupilar, elevando o risco cirúrgico.
A síndrome de pseudoesfoliação (PEX) é uma microfibrilopatia sistêmica generalizada, relacionada à idade, caracterizada pela produção e acúmulo progressivo de um material fibrilar esbranquiçado em diversos tecidos oculares e órgãos viscerais. No olho, esses depósitos são visíveis na borda pupilar e na cápsula anterior do cristalino (aspecto de alvo). Clinicamente, a PEX é um fator de risco crítico para o glaucoma secundário e complicações intraoperatórias. A instabilidade zonular pode levar à facodonese e luxação do cristalino, enquanto a disfunção do esfíncter da íris resulta em má dilatação. O reconhecimento pré-operatório desses sinais é vital para o planejamento cirúrgico, permitindo a reserva de dispositivos de suporte capsular e expansores pupilares, minimizando o risco de perda vítrea ou queda de núcleo para o segmento posterior.
A midríase insatisfatória ocorre devido à infiltração do material pseudoesfoliativo no estroma iriano e no músculo dilatador da pupila, além da formação de sinéquias posteriores. Isso torna a pupila rígida e pouco responsiva a midriáticos, frequentemente exigindo o uso de retratores irianos ou anéis de expansão pupilar durante a facoemulsificação para garantir a segurança do procedimento.
A síndrome de pseudoesfoliação é a causa mais comum de glaucoma de ângulo aberto secundário identificável. O material fibrilar obstrui a malha trabecular, levando ao aumento da pressão intraocular. Diferente do glaucoma primário de ângulo aberto, o glaucoma pseudoesfoliativo tende a apresentar picos pressóricos mais elevados, maior flutuação da PIO e uma progressão mais rápida de danos ao nervo óptico.
A fragilidade zonular (zonulopatia) é uma marca registrada da doença, causada pela deposição de material esfoliativo nas fibras zonulares e no epitélio ciliar. Durante a cirurgia de catarata, há um risco aumentado de subluxação do cristalino ou deiscência zonular. O cirurgião deve estar preparado para utilizar anéis de tensão capsular (CTR) para estabilizar o saco capsular e evitar manobras de tração excessiva.
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