Síndrome de Pseudoesfoliação: Riscos na Cirurgia de Catarata

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2021

Enunciado

Sobre a doença relacionada com os achados da figura, assinale a correta.

Alternativas

  1. A) A associação com glaucoma é frequente e seu prognóstico é melhor que o do glaucoma primário de ângulo aberto.
  2. B) Na cirurgia de catarata nos portadores dessa síndrome, a midríase insatisfatória é mais comum e a necessidade de retratores irianos mais frequente.
  3. C) Deiscência zonular é rara nesses casos e o uso de estabilizadores para o saco capsular deve ser evitado.
  4. D) Os depósitos que caracterizam a doença são exclusivamente intraoculares.

Pérola Clínica

Pseudoesfoliação → ↑ risco de rotura zonular e midríase pobre na cirurgia de catarata.

Resumo-Chave

A síndrome de pseudoesfoliação é uma doença sistêmica com depósitos fibrilares que fragilizam a zônula de Zinn e dificultam a dilatação pupilar, elevando o risco cirúrgico.

Contexto Educacional

A síndrome de pseudoesfoliação (PEX) é uma microfibrilopatia sistêmica generalizada, relacionada à idade, caracterizada pela produção e acúmulo progressivo de um material fibrilar esbranquiçado em diversos tecidos oculares e órgãos viscerais. No olho, esses depósitos são visíveis na borda pupilar e na cápsula anterior do cristalino (aspecto de alvo). Clinicamente, a PEX é um fator de risco crítico para o glaucoma secundário e complicações intraoperatórias. A instabilidade zonular pode levar à facodonese e luxação do cristalino, enquanto a disfunção do esfíncter da íris resulta em má dilatação. O reconhecimento pré-operatório desses sinais é vital para o planejamento cirúrgico, permitindo a reserva de dispositivos de suporte capsular e expansores pupilares, minimizando o risco de perda vítrea ou queda de núcleo para o segmento posterior.

Perguntas Frequentes

Por que a midríase é difícil na síndrome de pseudoesfoliação?

A midríase insatisfatória ocorre devido à infiltração do material pseudoesfoliativo no estroma iriano e no músculo dilatador da pupila, além da formação de sinéquias posteriores. Isso torna a pupila rígida e pouco responsiva a midriáticos, frequentemente exigindo o uso de retratores irianos ou anéis de expansão pupilar durante a facoemulsificação para garantir a segurança do procedimento.

Qual a relação entre pseudoesfoliação e glaucoma?

A síndrome de pseudoesfoliação é a causa mais comum de glaucoma de ângulo aberto secundário identificável. O material fibrilar obstrui a malha trabecular, levando ao aumento da pressão intraocular. Diferente do glaucoma primário de ângulo aberto, o glaucoma pseudoesfoliativo tende a apresentar picos pressóricos mais elevados, maior flutuação da PIO e uma progressão mais rápida de danos ao nervo óptico.

Quais os cuidados com a zônula nesta síndrome?

A fragilidade zonular (zonulopatia) é uma marca registrada da doença, causada pela deposição de material esfoliativo nas fibras zonulares e no epitélio ciliar. Durante a cirurgia de catarata, há um risco aumentado de subluxação do cristalino ou deiscência zonular. O cirurgião deve estar preparado para utilizar anéis de tensão capsular (CTR) para estabilizar o saco capsular e evitar manobras de tração excessiva.

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