Síndrome de Pseudoesfoliação: Diagnóstico e Manejo

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2020

Enunciado

Com relação ao achado na figura abaixo, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Apesar de a facoemulsificação ser mais difícil pela fragilidade zonular, a dilatação fixa pela atrofia da íris permite uma estabilização cirúrgica melhor.
  2. B) É doença mais comum em afrodescendentes do que em caucasianos.
  3. C) Há depósitos de material amorfo em vários órgãos, com exceção do fígado, o que é característico da doença.
  4. D) O tratamento do glaucoma associado a esse achado costuma ser menos eficaz que o do glaucoma primário de ângulo aberto.

Pérola Clínica

Pseudoesfoliação → Glaucoma agressivo + Fragilidade zonular + Má dilatação pupilar.

Resumo-Chave

A síndrome de pseudoesfoliação é uma doença sistêmica com depósitos fibrilares que fragilizam a zônula e dificultam o controle da pressão intraocular.

Contexto Educacional

A Síndrome de Pseudoesfoliação (PEX) é caracterizada pela produção e acúmulo de material fibrilar esbranquiçado na câmara anterior, especialmente na borda pupilar e na cápsula anterior do cristalino (aspecto de alvo). É mais comum em idosos e em populações de ascendência escandinava, embora ocorra globalmente. Fisiopatologicamente, o material PEX obstrui a malha trabecular e causa disfunção das células endoteliais trabeculares, levando ao aumento da PIO. Na cirurgia, a instabilidade zonular pode se manifestar como facodonese. O manejo exige vigilância rigorosa da PIO e planejamento cirúrgico cuidadoso, considerando a possibilidade de suporte capsular e manejo de pupila pequena.

Perguntas Frequentes

Por que o glaucoma na pseudoesfoliação é mais difícil de tratar?

O glaucoma pseudoesfoliativo é uma forma de glaucoma secundário de ângulo aberto que tende a apresentar níveis de pressão intraocular (PIO) mais elevados e flutuações pressóricas mais acentuadas do que o glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA). Além disso, a progressão do dano ao nervo óptico costuma ser mais rápida, e a resposta à terapia medicamentosa tópica é frequentemente menos eficaz a longo prazo, exigindo intervenções cirúrgicas ou laser (como a trabeculoplastia) mais precocemente.

Quais os desafios cirúrgicos na síndrome de pseudoesfoliação?

O cirurgião de catarata enfrenta dois grandes desafios: a má dilatação pupilar (devido à infiltração de material pseudoesfoliativo no estroma da íris e isquemia local) e a fragilidade zonular. A zônula de Zinn torna-se quebradiça, aumentando significativamente o risco de diálise zonular, subluxação do cristalino e perda vítrea durante a facoemulsificação. O uso de anéis de expansão capsular e ganchos de íris é frequentemente necessário para estabilizar o saco capsular e garantir a segurança do procedimento.

A síndrome de pseudoesfoliação é uma doença apenas ocular?

Não, é uma microfibrilopatia sistêmica. O material esfoliativo (composto por glicoproteínas e proteoglicanos) é depositado em diversos órgãos, incluindo coração, pulmões, fígado e rins. Estudos histopatológicos demonstram esses depósitos na matriz extracelular de vários tecidos. Embora as manifestações clínicas mais graves ocorram no olho (glaucoma e catarata), a condição tem sido associada a um risco aumentado de doenças cardiovasculares e aneurismas de aorta abdominal, embora a relevância clínica sistêmica ainda seja objeto de estudo.

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