SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2025
A lesão do primeiro neurônio motor gera uma síndrome conhecida como síndrome do primeiro neurônio motor ou síndrome piramidal. Além do déficit motor, também são achados desta síndrome os seguintes sinais:
1º Neurônio (Piramidal) = Hiperreflexia + Espasticidade + Babinski + Clônus.
A lesão do primeiro neurônio motor (via piramidal) resulta na perda do controle inibitório sobre os reflexos medulares, levando a sinais de liberação como hiperreflexia, espasticidade e clônus.
A diferenciação entre lesões do primeiro e do segundo neurônio motor é um pilar da semiologia neurológica. O primeiro neurônio motor (localizado no córtex cerebral) envia axônios através da via piramidal até a medula espinhal. Sua lesão causa 'sinais positivos' ou de liberação (hiperreflexia, espasticidade, Babinski, clônus) e 'sinais negativos' (fraqueza). Já o segundo neurônio motor (localizado no corno anterior da medula) é a 'via final comum'; sua lesão leva a hiporreflexia, hipotonia, fasciculações e atrofia muscular precoce e acentuada. Compreender esses padrões permite ao clínico localizar a lesão no sistema nervoso central ou periférico.
A hiperreflexia na síndrome do primeiro neurônio motor é caracterizada por uma resposta exagerada aos reflexos miotáticos (profundos). Isso ocorre porque o primeiro neurônio motor, que normalmente exerce uma influência inibitória tônica sobre os arcos reflexos medulares, está lesionado. Sem essa inibição, os reflexos tornam-se hiperativos. Além da amplitude aumentada, pode haver expansão da zona reflexógena (o reflexo é obtido percutindo áreas adjacentes ao tendão) e a presença de policinesia (múltiplas contrações em resposta a um único estímulo).
A espasticidade é o aumento do tônus muscular dependente da velocidade, típico da lesão do primeiro neurônio motor (via piramidal). Ela se manifesta com o 'sinal do canivete', onde há uma resistência inicial ao movimento passivo que cede bruscamente. Já a rigidez é o aumento do tônus independente da velocidade, característica de lesões extrapiramidais (como na Doença de Parkinson), manifestando-se como 'roda dentada' ou 'cano de chumbo'. Na síndrome piramidal, a espasticidade geralmente predomina nos músculos flexores dos membros superiores e extensores dos membros inferiores.
O clônus é uma série de contrações e relaxamentos musculares involuntários e rítmicos que ocorrem em resposta ao estiramento súbito e mantido de um tendão. É mais comumente testado no tornozelo (clônus aquileu) através da dorsiflexão rápida do pé. Clinicamente, a presença de um clônus sustentado é um sinal fidedigno de lesão da via piramidal (primeiro neurônio motor), indicando uma hiperexcitabilidade extrema do reflexo de estiramento. É considerado um grau máximo de hiperreflexia e frequentemente acompanha o sinal de Babinski.
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