CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Sobre a síndrome de Posner - Schlossman, é correto afirmar:
Posner-Schlossman = PIO muito alta (40-50 mmHg) + Olho calmo + Poucos precipitados ceráticos.
A Síndrome de Posner-Schlossman caracteriza-se por crises unilaterais de hipertensão ocular aguda associadas a uma uveíte anterior leve, onde a PIO é desproporcionalmente alta em relação aos sintomas.
A Síndrome de Posner-Schlossman, ou crise glaucomatociclítica, é uma entidade clínica fascinante que desafia a lógica de que 'muita pressão causa muita dor'. É mais comum em adultos jovens e tem sido associada à presença do vírus Herpes Simplex ou Citomegalovírus no humor aquoso, sugerindo uma etiologia viral para a trabeculite. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade: crises recorrentes unilaterais, PIO muito elevada e uveíte anterior mínima com ângulo aberto. É crucial realizar a gonioscopia para descartar fechamento angular. Embora o prognóstico seja bom, crises repetidas podem levar a dano glaucomatoso do nervo óptico, exigindo acompanhamento de longo prazo do campo visual e da camada de fibras nervosas.
O achado clássico são poucos precipitados ceráticos (PKs) finos, não granulomatosos e esbranquiçados, localizados centralmente no endotélio corneano. A reação de câmara anterior (células e flare) é mínima ou ausente. O olho geralmente apresenta-se branco ou com leve hiperemia conjuntival, contrastando com os níveis altíssimos de pressão intraocular, que podem causar edema epitelial corneano leve (halos coloridos).
Embora ambas sejam uveítes hipertensivas crônicas/recorrentes, a Heterocromia de Fuchs apresenta PKs difusos por todo o endotélio, atrofia difusa do estroma da íris (geralmente tornando o olho mais claro) e não apresenta crises agudas de PIO tão elevadas quanto o Posner-Schlossman. Além disso, o Posner-Schlossman não costuma cursar com heterocromia ou catarata precoce, típicos do Fuchs.
O tratamento foca no controle da pressão intraocular com hipotensores oculares tópicos (betabloqueadores, inibidores da anidrase carbônica ou alfa-agonistas). Corticoides tópicos são usados para controlar a inflamação trabecular, mas por curto período. Análogos de prostaglandinas são geralmente evitados em uveítes agudas. A crise costuma ser autolimitada, durando de dias a semanas.
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