Síndrome de Posner-Schlossman: Diagnóstico e Conduta

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014

Enunciado

Paciente jovem do sexo masculino apresenta quadros repetidos e autolimitados de uveíte anterior aguda, unilateral, com hipertensão ocular. Qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Síndrome de Susac
  2. B) Síndrome de Chandler
  3. C) Síndrome de Posner-Schlossman
  4. D) Síndrome de Axenfeld-Rieger

Pérola Clínica

Uveíte anterior unilateral recorrente + PIO ↑↑ + inflamação mínima = Posner-Schlossman.

Resumo-Chave

A Síndrome de Posner-Schlossman caracteriza-se por crises recorrentes de hipertensão ocular severa associadas a uma uveíte anterior leve e autolimitada, tipicamente em pacientes jovens.

Contexto Educacional

A Síndrome de Posner-Schlossman, ou crise glaucomatociclítica, é uma entidade oftalmológica importante no diagnóstico diferencial de olhos vermelhos dolorosos com hipertensão. O paciente típico é um adulto jovem que apresenta visão levemente embaçada ou halos coloridos ao redor das luzes, com dor ocular mínima. O exame clínico revela uma pressão intraocular desproporcionalmente alta (frequentemente > 40 mmHg) em comparação com a leve reação de câmara anterior (Tyndall leve). Os precipitados ceráticos são finos, brancos e localizados centralmente. O prognóstico a longo prazo é geralmente bom, mas crises repetidas podem levar a danos glaucomatosos no nervo óptico se não forem manejadas adequadamente.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da Síndrome de Posner-Schlossman?

A causa exata permanece desconhecida, mas acredita-se que envolva uma 'trabeculite' aguda — uma inflamação do trabeculado que reduz a drenagem do humor aquoso. Estudos sugerem uma associação com infecções virais, particularmente pelo Citomegalovírus (CMV) ou Herpes Simplex, que desencadeiam a resposta inflamatória cíclica e o aumento súbito da pressão intraocular.

Como diferenciar de outras uveítes hipertensivas?

Diferencia-se da Ciclite de Fuchs por ser episódica e apresentar PIO muito mais elevada durante as crises, além de não apresentar a heterocromia ou atrofia difusa da íris típica de Fuchs. Diferencia-se da uveíte herpética clássica pela ausência de atrofia setorial da íris e pela inflamação de câmara anterior ser muito mais discreta (poucas células e precipitados ceráticos finos).

Qual o tratamento durante a crise aguda?

O tratamento foca no controle da pressão intraocular (PIO) e na redução da inflamação. Utilizam-se hipotensores oculares tópicos (betabloqueadores, inibidores da anidrase carbônica ou alfa-agonistas; análogos de prostaglandina são evitados por serem pró-inflamatórios) e corticosteroides tópicos de curta duração. Em casos confirmados por CMV, antivirais como o ganciclovir podem ser indicados.

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