Síndrome Pós-Pericardiotomia: Diagnóstico e Manejo

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 56 anos apresenta desconforto na região precordial e hemitórax esquerdo uma semana após ser submetido a operação para revascularização do miocárdio, sem outras queixas. Ao exame físico apresenta pressão arterial 140 x 95 mmHg e bulhas hipofonéticas, frequência cardíaca de 100 bpm e temperatura de 37,7 °C. O ecocardiograma revelou dissinergia septal, derrame pericárdico leve, sem sinais de tamponamento, e fração de ejeção de 55%. A figura abaixo mostra o eletrocardiograma deste paciente. Qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Heparinização plena.
  2. B) Betabloqueador e nitrato.
  3. C) Anti-inflamatório não-esteroidal.
  4. D) Dupla antiagregação plaquetária.

Pérola Clínica

Dor torácica, febre, derrame pericárdico pós-CRM (1-2 semanas) → Síndrome Pós-Pericardiotomia → AINEs.

Resumo-Chave

A Síndrome Pós-Pericardiotomia é uma complicação inflamatória comum após cirurgias cardíacas, como a revascularização do miocárdio. Manifesta-se com dor torácica, febre e derrame pericárdico, geralmente 1 a 6 semanas após o procedimento. O tratamento de escolha são os anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs) para controlar a inflamação.

Contexto Educacional

A Síndrome Pós-Pericardiotomia (SPP), também conhecida como síndrome de Dressler quando ocorre mais tardiamente, é uma complicação inflamatória comum após cirurgias cardíacas que envolvem a abertura do pericárdio, como a revascularização do miocárdio (CRM). Sua patogênese é multifatorial, envolvendo uma resposta inflamatória autoimune ao sangue e tecidos pericárdicos danificados durante a cirurgia, com uma incidência que varia entre 10% e 50% dos pacientes submetidos a esses procedimentos. Clinicamente, a SPP manifesta-se com dor torácica pleurítica, febre (geralmente baixa), mal-estar e, por vezes, derrame pericárdico e/ou pleural. Os sintomas geralmente surgem de uma a seis semanas após a cirurgia, mas podem ocorrer mais cedo ou mais tarde. O diagnóstico é clínico, apoiado por exames como ecocardiograma (para avaliar derrame) e marcadores inflamatórios elevados (PCR, VHS). É crucial diferenciar a SPP de outras causas de dor torácica pós-operatória, como isquemia miocárdica ou infecção. O tratamento da SPP é primariamente sintomático e anti-inflamatório. Anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs), como o ibuprofeno, são a primeira linha de tratamento. A colchicina é frequentemente adicionada para acelerar a resolução dos sintomas e prevenir recorrências. Em casos refratários ou graves, corticosteroides podem ser utilizados. O prognóstico é geralmente bom, mas recorrências podem ocorrer.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas e sinais da Síndrome Pós-Pericardiotomia?

Os sintomas incluem dor torácica pleurítica, febre baixa, mal-estar e fadiga. Ao exame físico, pode-se encontrar atrito pericárdico e, em exames de imagem, derrame pericárdico e/ou pleural.

Qual o tratamento de primeira linha para a Síndrome Pós-Pericardiotomia?

O tratamento de primeira linha são os anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs), como ibuprofeno, em doses anti-inflamatórias. Colchicina pode ser adicionada para reduzir a recorrência e acelerar a resolução dos sintomas.

Quando a Síndrome Pós-Pericardiotomia geralmente se manifesta após a cirurgia cardíaca?

A síndrome pós-pericardiotomia pode se manifestar em qualquer momento, desde alguns dias até várias semanas ou meses após a cirurgia cardíaca, com um pico de incidência geralmente entre 1 a 6 semanas.

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