Síndrome Poliglandular Autoimune Tipo 2: Diagnóstico Clínico

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 33 anos, com DM tipo 1 há vários anos, procura atendimento médico por ganho de peso, adinamia, fraqueza e sonolência diurna. No exame físico, verifica-se que a tireoide está aumentada, com consistência firme e nodulações. A PA tem diminuído nos últimos meses, associada à hiperpigmentação da pele. O exame laboratorial mostra hemoglobina = 10 g/dL, creatinina = 1,4 mg/dL, sódio = 132 mEq/L, potássio = 5,7mEq/L, cálcio = 10 mg/dL, fósforo = 3,5 mg/dL, T4livre = 0,60 ng/dL (normal entre 0,70 a 1,48 ng/dL), TSH = 20 uUI/mL (normal abaixo de 4,5 uUI/dL) e anticorpo antimicrossomal (anti-TPO) positivo. O diagnóstico mais provável nesse caso é de:

Alternativas

  1. A) Neoplasia endócrina múltipla (NEM 1).
  2. B) Neoplasia endócrina múltipla (NEM 2a).
  3. C) Síndrome poliglandular autoimune tipo 1.
  4. D) Síndrome poliglandular autoimune tipo 2.

Pérola Clínica

DM1 + Hashimoto + Addison (hiperpigmentação + ↑K + ↓Na) = SPA Tipo 2 (Schmidt).

Resumo-Chave

A Síndrome Poliglandular Autoimune tipo 2 (Schmidt) é caracterizada pela coexistência de insuficiência adrenal primária (Addison) com doença tireoidiana autoimune e/ou Diabetes Mellitus tipo 1.

Contexto Educacional

A Síndrome Poliglandular Autoimune tipo 2 ilustra a natureza sistêmica da autoimunidade endócrina. No caso clínico apresentado, a paciente já possuía DM1 e desenvolveu hipotireoidismo primário (TSH elevado, T4 livre baixo e Anti-TPO positivo, caracterizando Hashimoto). A evolução com perda de peso, hiperpigmentação, hipotensão e o distúrbio eletrolítico clássico (hiponatremia e hipercalemia) confirma a insuficiência adrenal primária associada. O manejo exige cautela: ao tratar o hipotireoidismo em um paciente com insuficiência adrenal não diagnosticada, pode-se precipitar uma crise adrenal aguda, pois os hormônios tireoidianos aumentam o metabolismo do cortisol residual. Portanto, a reposição de glicocorticoide deve sempre preceder ou acompanhar o início da levotiroxina.

Perguntas Frequentes

O que define a Síndrome Poliglandular Autoimune tipo 2 (SPA 2)?

A SPA tipo 2, também conhecida como Síndrome de Schmidt, é definida obrigatoriamente pela presença de insuficiência adrenal primária autoimune (Doença de Addison). Para o diagnóstico, esta deve estar associada à doença tireoidiana autoimune (Tireoidite de Hashimoto ou Doença de Graves) e/ou ao Diabetes Mellitus tipo 1. É mais comum em adultos jovens e mulheres, apresentando um padrão de herança poligênico complexo, frequentemente associado aos haplótipos HLA-DR3 e HLA-DR4.

Como identificar a Doença de Addison no quadro clínico?

A Doença de Addison manifesta-se por fadiga, adinamia, perda de peso e sintomas gastrointestinais. Os sinais clássicos incluem hiperpigmentação cutânea e de mucosas (devido ao aumento do ACTH que estimula melanócitos) e hipotensão arterial. Laboratorialmente, observa-se hiponatremia, hipercalemia (por deficiência de aldosterona), acidose metabólica leve e, por vezes, anemia normocítica e eosinofilia. O diagnóstico é confirmado por cortisol basal baixo com ACTH elevado ou teste de estímulo com ACTH sintético.

Qual a diferença entre SPA tipo 1 e SPA tipo 2?

A SPA tipo 1 (Síndrome APECED) é causada por mutações no gene AIRE, surge na infância e apresenta a tríade: candidíase mucocutânea crônica, hipoparatireoidismo e doença de Addison. Já a SPA tipo 2 surge geralmente na vida adulta, não inclui hipoparatireoidismo ou candidíase como componentes principais, e tem como base a insuficiência adrenal associada a doenças tireoidianas ou DM1. A SPA tipo 2 é significativamente mais comum que a tipo 1.

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