UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Mulher de 47 anos, sem histórico de etilismo ou tabagismo, apresenta anemia ferropriva, disfagia e emagrecimento de 10kg em seis meses. A endoscopia digestiva alta evidenciou membranas esofageanas, e a avaliação de hipofaringe constatou carcinoma espinocelular inicial posterior à cricoide. Nesse caso, a hipótese diagnóstica principal consiste em síndrome de(a):
Anemia ferropriva + Disfagia (membranas) + Risco de CEC → Síndrome de Plummer-Vinson.
A síndrome associa anemia ferropriva crônica à formação de membranas esofágicas (webs) pós-cricoides, sendo um fator de risco clássico para o carcinoma espinocelular de hipofaringe.
A Síndrome de Plummer-Vinson (ou Paterson-Brown-Kelly) é uma entidade clínica rara, mas de alta relevância em provas de residência devido à sua associação com o câncer. A fisiopatologia exata é incerta, mas acredita-se que a deficiência severa de ferro leve à depleção de enzimas oxidativas dependentes de ferro, resultando em atrofia epitelial e degeneração muscular na faringe. Clinicamente, a paciente apresenta sintomas de anemia (palidez, fadiga) e disfagia progressiva para sólidos. O diagnóstico é confirmado por esofagograma baritado ou endoscopia digestiva alta, que revela as membranas. O tratamento da anemia é prioritário, mas o reconhecimento da lesão como precursora do carcinoma espinocelular é o ponto mais cobrado em contextos cirúrgicos e gastroenterológicos.
A tríade clássica consiste em anemia ferropriva, disfagia alta (orofaríngea) e a presença de membranas esofágicas (webs), geralmente localizadas na região pós-cricoide. É mais comum em mulheres de meia-idade e está fortemente associada à deficiência crônica de ferro, que causa atrofia da mucosa e formação de pregas membranosas.
A Síndrome de Plummer-Vinson é considerada uma condição pré-maligna. Pacientes com esta síndrome apresentam um risco significativamente aumentado de desenvolver carcinoma espinocelular (CEC) da hipofaringe e da porção superior do esôfago. Por isso, o diagnóstico exige vigilância endoscópica e tratamento agressivo da deficiência de ferro.
O pilar do tratamento é a reposição de ferro para corrigir a anemia ferropriva, o que muitas vezes melhora a disfagia. Em casos onde as membranas esofágicas causam obstrução persistente, pode ser necessária a dilatação endoscópica. O acompanhamento a longo prazo é essencial para o rastreio precoce de neoplasias de cabeça e pescoço.
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