Platipneia-Ortodeoxia na Cirrose: Diagnóstico com Ecocardiograma

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 60 anos, etilista crônica, desenvolve cirrose hepática há 10 anos. Queixa-se de dispneia quando se levanta da cama pela manhã. A noite, passa bem em decúbito dorsal. O exame que pode explicar esse fenômeno:

Alternativas

  1. A) Tomografia de tórax.
  2. B) Ultrassom de abdome.
  3. C) Cintilografia miocárdica.
  4. D) Ecocardiograma com microbolhas.
  5. E) Nenhuma das respostas acima.

Pérola Clínica

Dispneia em ortostase (platipneia) + hipoxemia em ortostase (ortodeoxia) em cirrótico → suspeitar de HPS ou PFO → Ecocardiograma com microbolhas.

Resumo-Chave

A síndrome platipneia-ortodeoxia, caracterizada por dispneia e hipoxemia que pioram na posição ereta e melhoram em decúbito, é um achado clássico em pacientes com cirrose, frequentemente associada à Síndrome Hepatopulmonar (HPS) ou shunt intracardíaco (Forame Oval Patente). O ecocardiograma com microbolhas é o exame chave para detectar esses shunts.

Contexto Educacional

A cirrose hepática é uma doença crônica progressiva que leva a diversas complicações sistêmicas, incluindo manifestações pulmonares e cardiovasculares. A síndrome platipneia-ortodeoxia é uma condição rara, mas importante, caracterizada por dispneia e hipoxemia que se agravam na posição ereta e melhoram no decúbito. Essa síndrome é um achado clássico em pacientes com cirrose e deve levantar a suspeita de Síndrome Hepatopulmonar (HPS) ou, menos comumente, um Forame Oval Patente (PFO). A fisiopatologia da platipneia-ortodeoxia em cirróticos geralmente envolve a HPS, onde a vasodilatação pulmonar e a formação de shunts intrapulmonares levam a uma alteração da relação ventilação/perfusão. Na posição ereta, o fluxo sanguíneo é redistribuído para as bases pulmonares, onde os shunts são mais proeminentes, exacerbando a hipoxemia. O diagnóstico diferencial inclui outras causas de dispneia em cirróticos, como ascite volumosa ou hipertensão portopulmonar, mas a característica postural é a chave. O ecocardiograma com microbolhas é o exame de escolha para investigar a causa da platipneia-ortodeoxia. Ele permite identificar a presença de shunts intrapulmonares (típicos da HPS) ou intracardíacos (como o PFO). A detecção de microbolhas no átrio esquerdo após um certo número de batimentos cardíacos diferencia os dois tipos de shunt, sendo fundamental para o manejo e prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

O que é a síndrome platipneia-ortodeoxia e como ela se manifesta?

A síndrome platipneia-ortodeoxia é caracterizada por dispneia (platipneia) e hipoxemia (ortodeoxia) que pioram na posição ereta e melhoram em decúbito dorsal. Isso ocorre devido ao aumento do shunt intrapulmonar ou intracardíaco na posição ortostática, levando a uma maior dessaturação de oxigênio.

Qual a relação entre cirrose hepática e a síndrome platipneia-ortodeoxia?

Em pacientes com cirrose, a síndrome platipneia-ortodeoxia é frequentemente um sinal da Síndrome Hepatopulmonar (HPS), que envolve vasodilatação pulmonar e shunts intrapulmonares. Também pode ser causada por um Forame Oval Patente (PFO) com shunt da direita para a esquerda, exacerbado pela posição ereta.

Como o ecocardiograma com microbolhas ajuda a diagnosticar a causa da platipneia-ortodeoxia?

O ecocardiograma com microbolhas é o exame padrão-ouro para detectar shunts intrapulmonares ou intracardíacos. A presença de microbolhas no átrio esquerdo após 3-6 batimentos cardíacos sugere shunt intrapulmonar (HPS), enquanto a detecção precoce (em até 3 batimentos) indica shunt intracardíaco (PFO).

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