Choque Séptico Pediátrico: Reconhecimento e Conduta Imediata

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menina, 3 anos de idade, sem comorbidades, é levada a Pronto-Socorro por quadro de febre há 3 dias, de até 39,5°C. Os episódios são frequentes, sendo necessário intercalar dipirona e ibuprofeno para controle térmico. Há 2 dias evoluiu com eritema pruriginoso em tronco e há 1 dia com descamação. Ao exame clínico, criança em regular estado geral, T 37,5°C, PA 74 x 58 mmHg, FC 177 bpm, FR 38 ipm, SatO2 94% em ar ambiente. Sem outras alterações ao exame clínico, exceto pelas lesões difusas na pele com eritrodermia intensa e descamação, conforme figura abaixo. Qual é a conduta imediata indicada neste momento?

Alternativas

  1. A)  Difenidramina, ranitidina e hidrocortisona endovenosos.
  2. B) Adrenalina endovenosa contínua e antibioticoterapia com eritromicina.
  3. C) Expansão volêmica e antibioticoterapia com oxacilina e clindamicina.
  4. D) Pulsoterapia com metilprednisolona e suspensão de qualquer outra medicação.
  5. E) Sulfadiazina de prata tópica e enfaixamento das lesões.

Pérola Clínica

Criança com febre, eritrodermia descamativa, sinais de choque (hipotensão, taquicardia) → suspeitar SSSS/Choque Séptico → Expansão volêmica + ATB (oxacilina + clindamicina).

Resumo-Chave

Crianças com febre, eritrodermia intensa e descamativa, acompanhada de sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), devem ser tratadas como choque séptico, com prioridade para expansão volêmica e antibioticoterapia empírica que cubra Staphylococcus aureus, como oxacilina e clindamicina.

Contexto Educacional

O quadro clínico apresentado, com febre, eritrodermia intensa e descamativa, associado a sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, taquipneia), é altamente sugestivo de uma síndrome de choque séptico em uma criança. Em pediatria, a Síndrome da Pele Escaldada Estafilocócica (SSSS) é uma causa importante de eritrodermia descamativa, causada por toxinas esfoliativas de Staphylococcus aureus, que pode evoluir para sepse e choque. A rápida identificação é crucial devido ao risco de morbimortalidade. A fisiopatologia do choque séptico envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada à infecção, levando à disfunção orgânica. No caso da SSSS, as toxinas estafilocócicas causam clivagem da epiderme, resultando na descamação característica. O diagnóstico é clínico, e a suspeita deve ser alta diante da tríade febre, rash descamativo e instabilidade. A avaliação da perfusão (tempo de enchimento capilar, pulsos) e da pressão arterial é fundamental para classificar a gravidade do choque. A conduta imediata para choque séptico em crianças é a expansão volêmica agressiva com cristaloides (20 mL/kg em bolus, repetida se necessário) para restaurar a perfusão, seguida de antibioticoterapia empírica de amplo espectro. Para SSSS, a cobertura para Staphylococcus aureus é essencial, utilizando-se oxacilina (para MSSA) e clindamicina (para inibição de toxinas e cobertura de MRSA, se houver suspeita). A clindamicina é importante para neutralizar a produção de toxinas. O prognóstico depende da rapidez e adequação do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para choque séptico em crianças?

Sinais de alerta incluem taquicardia, taquipneia, hipotensão (sinal tardio), tempo de enchimento capilar prolongado, pele marmórea, alteração do estado mental e oligúria.

Qual a conduta inicial para uma criança com suspeita de choque séptico e eritrodermia?

A conduta imediata envolve expansão volêmica agressiva com cristaloides (20 mL/kg em bolus), seguida de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo patógenos como Staphylococcus aureus (ex: oxacilina + clindamicina).

O que é a Síndrome da Pele Escaldada Estafilocócica (SSSS) e como ela se manifesta?

SSSS é uma doença causada por toxinas esfoliativas de Staphylococcus aureus, caracterizada por febre, eritema difuso e descamação bolhosa superficial, simulando queimadura. Pode levar a desidratação e sepse.

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