CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2009
Qual o diagnóstico mais provável de acordo com o exame de motilidade ocular extrínseca e o exame de imagem?
Paralisia do olhar vertical superior + nistagmo de retração = Síndrome de Parinaud.
A Síndrome de Parinaud decorre de lesões no teto mesencefálico, afetando os centros de controle do olhar vertical e as fibras pupilares, frequentemente associada a tumores pineais.
A Síndrome de Parinaud é um diagnóstico topográfico preciso na neurologia. A paralisia do olhar vertical superior ocorre pela compressão do núcleo intersticial rostral do fascículo longitudinal medial (riFLM) ou das fibras que cruzam a comissura posterior. O reconhecimento clínico imediato é vital, pois pode ser o primeiro sinal de uma massa intracraniana ou de uma hidrocefalia aguda que requer intervenção neurocirúrgica urgente.
A tríade clássica consiste em: 1) Paralisia do olhar vertical conjugado (especialmente para cima); 2) Nistagmo de convergência-retração (tentativa de olhar para cima gera co-contração dos músculos extraoculares); e 3) Dissociação luz-perto pupilar (pupilas reagem mal à luz, mas preservam a resposta de acomodação/convergência). Pode haver também o sinal de Collier (retração palpebral).
Em pacientes jovens, a causa mais comum são tumores da glândula pineal (como germinomas ou pineocitomas) que comprimem o teto mesencefálico. Outras causas incluem hidrocefalia obstrutiva (por estenose do aqueduto de Sylvius), esclerose múltipla e malformações vasculares. Em idosos, o acidente vascular cerebral (isquemia mesencefálica) torna-se uma etiologia prevalente.
A dissociação ocorre porque as fibras do reflexo fotomotor (luz) cruzam na comissura posterior do mesencéfalo, que é altamente suscetível à compressão dorsal. Já as fibras responsáveis pela resposta de perto (acomodação e convergência) seguem um trajeto mais ventral e difuso, sendo poupadas nas lesões dorsais iniciais, mantendo a pupila reativa ao estímulo de proximidade.
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