USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Homem de 48 anos de idade, casado, comparece em retorno de consulta ambulatorial com queixa de episódios em que seu “coração passa a bater para fora da boca, com batidas fora de hora e com a sensação que pode parar a qualquer momento”. Já procurou serviços de urgência e emergência. Porém ao chegar ao Pronto-Socorro de cardiologia a crise já passou e os médicos não acham nada alterado nos exames complementares. Refere que quando faz atividade física o coração começa a bater mais rápido. Nesse processo por vezes lhe falta ar e sente medo muito grande de que possa infartar cedo como seu pai, que faleceu aos 52 anos de idade. Está dormindo mal, fica pensando no que fazer se tiver novas crises e como pode chegar rápido no hospital para poder descobrir o que é. É ex-fumante 1 maço/dia por 15 anos (parou há 12 anos). O exame clínico está normal. Os exames complementares solicitados na primeira consulta mostram glicemia de jejum e colesterol total e frações normais. O eletrocardiograma atual é apresentado abaixo. O registro de Holter durante uma das crises referidas está representado abaixo.Traçado do eletrocardiograma de hoje:Traçado do Holter: Qual é o diagnóstico provável e a conduta inicial?
Crises súbitas de palpitações, dispneia e medo intenso, com exames cardíacos normais → Síndrome do Pânico.
A Síndrome do Pânico se manifesta com ataques súbitos de medo intenso e sintomas físicos como palpitações, dispneia e dor torácica, frequentemente mimetizando doenças cardíacas. O diagnóstico diferencial é crucial, e a ausência de alterações em exames cardiológicos (ECG, Holter) é um forte indicativo. O tratamento inicial inclui antidepressivos serotoninérgicos.
A Síndrome do Pânico é um transtorno de ansiedade caracterizado por ataques de pânico recorrentes e inesperados, que são períodos súbitos de medo intenso ou desconforto, acompanhados por sintomas físicos e cognitivos. Esses ataques frequentemente mimetizam condições médicas graves, como infarto agudo do miocárdio ou arritmias, levando os pacientes a procurar serviços de urgência repetidamente. Os sintomas físicos incluem palpitações, sudorese, tremores, dispneia, dor ou desconforto torácico, náuseas, tontura, calafrios ou ondas de calor, parestesias. Os sintomas cognitivos envolvem medo de morrer, de enlouquecer ou de perder o controle. O diagnóstico diferencial com doenças cardíacas é fundamental e deve ser feito após a exclusão de causas orgânicas por meio de exames como eletrocardiograma, Holter e ecocardiograma, que geralmente se mostram normais nos casos de pânico. O tratamento da Síndrome do Pânico envolve uma abordagem multifacetada. A farmacoterapia de primeira linha são os antidepressivos serotoninérgicos (ISRS), que atuam regulando os níveis de serotonina no cérebro. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) também é altamente eficaz, ajudando o paciente a identificar e modificar padrões de pensamento e comportamento associados ao pânico. O prognóstico é bom com tratamento adequado, mas a adesão e o tempo de resposta são importantes.
Sintomas como palpitações súbitas, dispneia, dor torácica atípica, tontura e medo intenso de morrer ou perder o controle, especialmente quando os exames cardiológicos (ECG, Holter) são normais, sugerem Síndrome do Pânico.
A conduta inicial para a Síndrome do Pânico geralmente envolve a introdução de antidepressivos serotoninérgicos (ISRS), como sertralina ou paroxetina, e pode ser complementada com terapia cognitivo-comportamental.
É crucial para evitar investigações invasivas desnecessárias e para garantir que o paciente receba o tratamento adequado para sua condição, seja ela cardíaca ou psiquiátrica, melhorando sua qualidade de vida.
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