SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2020
Paciente 76 anos, procura um médico com queixa de fadiga, falta de energia, dispneia e palpitação associada ao esforço físico, tosse seca eventual. Também sente dor em ombro direito que irradia para região ulnar do braço que atribui a um mau jeito. refere perda de peso de 10 kg nos últimos 6 meses, não intencional. Nega sangramentos evidentes recentes. Menopausa aos 49 anos. Carga tabágica 180 maços-ano. Ao exame físico apresenta enoftalmia, ptose, e miose à direita. Ausculta pulmonar diminuída em ápice direito. Hepatomegalia de 17 cm. Sobre esse paciente é correto afirmar, exceto:
Tumor de Pancoast → Câncer de pulmão de NÃO pequenas células (adenocarcinoma/epidermoide) é o tipo histológico mais comum.
O paciente apresenta sinais clássicos de Síndrome de Pancoast (dor em ombro com irradiação ulnar, Síndrome de Horner à direita) e achados sugestivos de câncer de pulmão avançado (carga tabágica alta, perda de peso, hepatomegalia). O erro da alternativa E reside em afirmar que o principal tipo histológico do tumor de Pancoast é o de pequenas células, quando na verdade são os de não pequenas células.
A Síndrome de Pancoast refere-se a um tumor localizado no ápice pulmonar que invade estruturas adjacentes, como o plexo braquial, gânglio estrelado simpático, costelas e vértebras. É mais comumente associada ao câncer de pulmão, especialmente os carcinomas de não pequenas células (adenocarcinoma e carcinoma epidermoide), e sua apresentação clínica é marcada por dor intensa no ombro e braço (distribuição ulnar), além da Síndrome de Horner. A alta carga tabágica é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de câncer de pulmão. A fisiopatologia da dor e da Síndrome de Horner decorre da compressão e invasão das estruturas nervosas pelo tumor. A dor no ombro e braço é neuropática, enquanto a Síndrome de Horner resulta da interrupção da via simpática. Sintomas sistêmicos como fadiga, perda de peso não intencional e dispneia, juntamente com achados como hepatomegalia, sugerem doença avançada e possível disseminação metastática. O diagnóstico requer alta suspeição clínica em pacientes tabagistas com dor atípica no ombro. O estadiamento do câncer de pulmão com Síndrome de Pancoast é crucial para determinar a melhor abordagem terapêutica, que pode incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Exames como TC de tórax e abdome, ressonância magnética (RM) do plexo braquial e PET-CT são fundamentais para avaliar a extensão local e a presença de metástases. O prognóstico depende do estadiamento, tipo histológico e resposta ao tratamento, sendo o carcinoma de não pequenas células o tipo mais prevalente nesses tumores.
A Síndrome de Pancoast é caracterizada por dor no ombro e braço (devido à invasão do plexo braquial), Síndrome de Horner (ptose, miose, anidrose por invasão do gânglio estrelado simpático) e atrofia da musculatura da mão.
A Síndrome de Horner se manifesta como ptose palpebral, miose (pupila contraída) e anidrose (ausência de suor) na hemiface ipsilateral. Ela ocorre quando o tumor de Pancoast invade o gânglio estrelado ou a cadeia simpática cervical.
Para o estadiamento adequado, são essenciais a tomografia computadorizada (TC) de tórax com contraste, TC de abdome superior (para avaliar metástases hepáticas) e, preferencialmente, a tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT) para avaliar a extensão da doença e metástases à distância.
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