SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2021
Jovem de 20 anos chega ao consultório de ginecologia reclamando de irregularidade menstrual há alguns anos, ficando por vezes mais de seis meses sem menstruar. G0P0, menarca aos 10 anos, primeiro intercurso sexual aos 18 anos. Usa preservativo masculino como contracepção de forma adequada. Chama a atenção, durante o exame físico, o sobrepeso e a disposição de pelos aumentados e escurecidos. O índice de Ferriman e Gallwey foi de 10. Traz consigo uma avaliação ecográfica transvaginal normal. Dosagens de testosterona e androstenediona normais.De acordo com os critérios de Rotterdan, revisados em 2012, assinale a alternativa CORRETA.
SOP (Rotterdam): Oligo/anovulação + Hiperandrogenismo (clínico/lab) + Ovários policísticos USG. 2 de 3 critérios bastam.
A paciente preenche os critérios de Rotterdam para SOP (oligo/anovulação e hiperandrogenismo clínico - hirsutismo), mesmo com androgênios laboratoriais e ultrassom normais. A SOP é frequentemente associada a um estado de hiperandrogenismo e relativa hiperestrogenemia devido à anovulação crônica e conversão periférica de androgênios.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia complexa e heterogênea, sendo a causa mais comum de anovulação crônica e hiperandrogenismo em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10% dessa população. Seu diagnóstico é de exclusão, após afastar outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual, como hiperplasia adrenal congênita não clássica, tumores produtores de androgênios e disfunção tireoidiana. Os critérios de Rotterdam, estabelecidos em 2003 e revisados em 2012, são amplamente utilizados para o diagnóstico da SOP. Eles exigem a presença de pelo menos dois dos três pilares: oligo ou anovulação (ciclos menstruais irregulares ou ausentes), hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia androgênica) ou laboratorial (níveis elevados de androgênios séricos), e morfologia ovariana policística à ultrassonografia. É crucial entender que a paciente não precisa ter todos os três critérios para o diagnóstico. No caso clínico apresentado, a paciente manifesta oligo/anovulação (irregularidade menstrual) e hiperandrogenismo clínico (hirsutismo com Ferriman e Gallwey de 10), mesmo com androgênios laboratoriais e ultrassonografia ovariana normais. Isso é suficiente para o diagnóstico de SOP pelos critérios de Rotterdam. A menção de 'síndrome hiperandrogênica-hiperestrogênica' na alternativa correta, embora não seja um termo diagnóstico formal, reflete o desequilíbrio hormonal característico da SOP, onde há excesso de androgênios e, devido à anovulação crônica e conversão periférica, um estado de hiperestrogenismo relativo. O manejo da SOP é multifacetado, incluindo modificações no estilo de vida, contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, e sensibilizadores de insulina como a metformina.
Os critérios de Rotterdam (2003, revisados em 2012) exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou laboratorial (testosterona elevada), e ovários policísticos à ultrassonografia (≥12 folículos de 2-9mm em cada ovário ou volume ovariano >10mL).
Sim, é possível. Se a paciente apresentar oligo/anovulação e hiperandrogenismo clínico (como hirsutismo com Ferriman e Gallwey ≥ 8), ela preenche dois dos três critérios de Rotterdam, permitindo o diagnóstico de SOP, mesmo com testosterona sérica e ultrassonografia ovariana normais.
Embora não seja um termo diagnóstico formal, descreve o perfil hormonal comum na SOP. Há um aumento na produção de androgênios pelos ovários e/ou adrenais, e a anovulação crônica leva a uma exposição prolongada ao estrogênio sem a oposição da progesterona, além da conversão periférica de androgênios em estrogênios, resultando em um estado de hiperestrogenismo relativo.
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