SOP: Diagnóstico, Fisiopatologia e Manejo Terapêutico

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2023

Enunciado

No que diz respeito à Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), é INCORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico de SOP é feito por exclusão, e a solicitação de DHEA, de Androstenediona e Dihidrotestosterona são úteis para afastar alguns diagnósticos diferenciais.
  2. B) A insulina é considerada um fator fundamental na fisiopatologia da doença. Grande parte das pacientes obesas e não obesas apresentam resistência periférica à insulina, o que leva a um quadro de hiperinsulinismo relativo.
  3. C) A SOP manifesta-se com um quadro de irregularidade menstrual do tipo espaniomenorreia, iniciada à época da menarca, associado a hiperandrogenismo clínico (hirsutismo e acne).
  4. D) Os anticoncepcionais orais combinados estroprogestativos são empregados em pacientes anovuladoras com hiperandrogenismo sem desejo de gravidez iminente.

Pérola Clínica

SOP: diagnóstico por exclusão + critérios de Rotterdam. DHEA/Androstenediona/DHT → úteis para diferenciais, mas não primários.

Resumo-Chave

A afirmação A é incorreta porque, embora o diagnóstico de SOP seja por exclusão de outras causas de hiperandrogenismo e disfunção ovulatória, a dosagem de DHEA, Androstenediona e Dihidrotestosterona não são os exames primários para afastar diferenciais. Testosterona total e livre são mais relevantes. A SOP é diagnosticada pelos critérios de Rotterdam (2 de 3: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico/laboratorial, ovários policísticos na ultrassonografia).

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino complexo e heterogêneo, sendo a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10%. Caracteriza-se por disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística, com impacto significativo na saúde reprodutiva, metabólica e psicossocial das pacientes. O diagnóstico é feito pelos critérios de Rotterdam, após exclusão de outras condições. A fisiopatologia da SOP é multifatorial, com a resistência à insulina desempenhando um papel fundamental, mesmo em pacientes não obesas. O hiperinsulinismo compensatório estimula a produção de androgênios pelos ovários e glândulas adrenais, além de reduzir a globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), elevando a testosterona livre. Isso leva aos sintomas de hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia) e disfunção ovulatória (oligo/amenorreia). O manejo da SOP é individualizado e visa tratar os sintomas predominantes. Para pacientes sem desejo de gravidez, os anticoncepcionais orais combinados são a primeira escolha para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo. A metformina pode ser usada para resistência à insulina. É crucial que o residente saiba realizar o diagnóstico diferencial e oferecer um plano de tratamento abrangente, considerando as diversas manifestações da síndrome.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Rotterdam para o diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

Os critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo-ovulação ou anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras causas.

Qual o papel da resistência à insulina na fisiopatologia da SOP?

A resistência à insulina é um fator central na SOP, levando a hiperinsulinismo compensatório. A insulina elevada estimula a produção ovariana de androgênios e diminui a síntese hepática de SHBG, aumentando os níveis de testosterona livre e exacerbando o hiperandrogenismo.

Por que os anticoncepcionais orais combinados são usados no tratamento da SOP?

Os anticoncepcionais orais combinados são a primeira linha de tratamento para pacientes com SOP sem desejo de gravidez, pois regulam o ciclo menstrual, reduzem os níveis de androgênios (diminuindo hirsutismo e acne) e protegem o endométrio contra hiperplasia.

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