UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2020
Paciente de 22 anos, com ciclos oligomenorreicos desde a menarca, acne e hirsutismo, em que a avaliação laboratorial mostra LH (Hormônio Luteinizante) duas vezes o valor do FSH (Hormônio Folículo Estimulante) e índice de HOMA (Homeostatic Model Assessment) compatível com hiperinsulinemia. O provável diagnóstico é:
Oligomenorreia + acne + hirsutismo + LH/FSH > 2 + hiperinsulinemia → Síndrome do Ovário Policístico.
A combinação de oligomenorreia, sinais de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo), relação LH/FSH elevada e hiperinsulinemia é altamente sugestiva de Síndrome do Ovário Policístico (SOP), que cursa com anovulação crônica.
A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é um distúrbio endócrino comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizado por uma constelação de sintomas que incluem irregularidades menstruais (oligomenorreia ou amenorreia), hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia) e morfologia ovariana policística. É a principal causa de anovulação crônica e infertilidade. O diagnóstico da SOP é feito com base nos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três achados: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras causas. A fisiopatologia envolve uma interação complexa entre disfunção ovariana, resistência à insulina e disfunção hipotálamo-hipofisária, resultando em um aumento da relação LH/FSH e hiperandrogenismo. A hiperinsulinemia, frequentemente presente devido à resistência à insulina, desempenha um papel central na SOP, estimulando a produção de androgênios ovarianos e contribuindo para o quadro clínico. O tratamento é individualizado e visa controlar os sintomas, prevenir complicações metabólicas e cardiovasculares, e restaurar a fertilidade, quando desejada.
Os critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três: oligomenorreia ou anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) ou laboratorial (testosterona elevada), e ovários policísticos à ultrassonografia.
Uma relação LH/FSH > 2:1 ou 3:1 é um achado clássico na SOP, refletindo o aumento da secreção de LH que estimula a produção de androgênios pelos ovários, contribuindo para o hiperandrogenismo e a anovulação.
A hiperinsulinemia, decorrente da resistência à insulina, estimula a produção ovariana de androgênios e diminui a síntese hepática de SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais), elevando os níveis de testosterona livre e exacerbando o hiperandrogenismo na SOP.
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