Síndrome do Ovário Policístico (SOP): Fisiopatologia e Complicações

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2020

Enunciado

A síndrome do ovário policístico (SOP), ou anovulação hiperandrogênica, é uma afecção comum entre as mulheres com ciclos menstruais irregulares. Sobre essa patologia, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Na fisiopatologia da doença, há um aumento do hormônio folículo estimulante (FSH) em relação ao hormônio luteinizante (LH), com uma relação de 2:1 em mais da metade dos casos.
  2. B) O diabetes tipo I, a hiperprolactinemia e a síndrome de Cushing podem ter sintomas parecidos com os da SOP.
  3. C) Mesmo pacientes com intervalo cíclicos regulares, hiperandrogenismo brando e sem alterações metabólicas, devem ser tratadas pelo risco de câncer de ovário.
  4. D) Mulheres com SOP que engravidam apresentam taxa elevada de abortamento precoce em relação à taxa média da população.

Pérola Clínica

SOP → ↑ risco de abortamento precoce e comorbidades metabólicas; LH/FSH ↑, não FSH/LH.

Resumo-Chave

A SOP é uma endocrinopatia complexa associada a hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e resistência à insulina. Mulheres com SOP que engravidam têm maior risco de abortamento precoce e complicações gestacionais devido a fatores metabólicos e hormonais.

Contexto Educacional

A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é uma das endocrinopatias mais comuns em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais. Sua fisiopatologia envolve hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e resistência à insulina, manifestando-se clinicamente por irregularidades menstruais, infertilidade, hirsutismo, acne e obesidade. O diagnóstico da SOP é feito pelos critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três achados: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras condições com sintomas semelhantes, como hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana, síndrome de Cushing e tumores produtores de androgênios. Mulheres com SOP enfrentam desafios significativos, incluindo um risco aumentado de abortamento precoce, diabetes gestacional e pré-eclâmpsia quando engravidam. O manejo é individualizado, focando na melhora dos sintomas, prevenção de complicações metabólicas e reprodutivas, e inclui mudanças no estilo de vida, contraceptivos orais, sensibilizadores de insulina e tratamentos para infertilidade. Residentes devem estar cientes da complexidade da SOP e de suas implicações a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome do Ovário Policístico (SOP)?

Os critérios de Rotterdam (os mais usados) exigem a presença de pelo menos dois dos três: oligo/anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras causas.

Por que a relação LH/FSH é alterada na SOP?

Na SOP, há um aumento da frequência e amplitude dos pulsos de GnRH, levando a uma secreção preferencial de LH em detrimento do FSH. Isso resulta em uma relação LH:FSH elevada (>2:1 ou >3:1), que contribui para a anovulação e o hiperandrogenismo.

Quais são as principais comorbidades associadas à SOP?

A SOP está fortemente associada à resistência à insulina, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, esteatose hepática não alcoólica, apneia do sono e maior risco de câncer de endométrio.

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