HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2024
A paciente de 34 anos relata períodos menstruais irregulares, com ciclos prolongados e dificuldade para engravidar. Além disso, apresenta sinais de obesidade e hirsutismo, com crescimento excessivo de pelos faciais e corporais. Com base nos sintomas relatados e exames laboratoriais, foi estabelecido o diagnóstico de Síndrome do Ovário Policístico. Qual das alternativas abaixo representa a mais completa proposta terapêutica para a paciente?
SOP → Irregularidade menstrual, hiperandrogenismo, obesidade, resistência à insulina. Tratamento: estilo de vida + sensibilizador insulina + anticoncepcional (se não quiser engravidar) ou suplementação pré-gestacional (se quiser engravidar).
A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é uma endocrinopatia complexa que exige uma abordagem terapêutica multifacetada. O tratamento deve ser individualizado, considerando os sintomas predominantes e os objetivos da paciente, como controle do hiperandrogenismo, regularização menstrual, melhora da fertilidade e manejo da resistência à insulina.
A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é uma das endocrinopatias mais comuns em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10% dessa população. Caracteriza-se por um conjunto de sintomas que incluem irregularidade menstrual (oligo ou anovulação), hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia androgênica) e morfologia ovariana policística ao ultrassom. A SOP é uma condição heterogênea, e sua importância clínica reside não apenas nos sintomas reprodutivos e estéticos, mas também nas comorbidades metabólicas, como resistência à insulina, obesidade, dislipidemia e maior risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A fisiopatologia da SOP é complexa e multifatorial, envolvendo disfunção hipotalâmico-hipofisária, resistência à insulina com hiperinsulinemia compensatória, e aumento da produção de andrógenos ovarianos e adrenais. O diagnóstico é feito com base nos critérios de Rotterdam, após exclusão de outras causas de hiperandrogenismo ou irregularidade menstrual. A suspeita deve surgir em adolescentes ou mulheres jovens com ciclos irregulares, hirsutismo e/ou obesidade. O tratamento da SOP é individualizado e visa abordar os sintomas predominantes e as comorbidades. As modificações no estilo de vida, como dieta e atividade física, são a base do tratamento para todas as pacientes, especialmente as obesas, visando melhorar a resistência à insulina e a ovulação. Para o hiperandrogenismo e irregularidade menstrual, anticoncepcionais orais combinados são frequentemente utilizados. Para pacientes que desejam engravidar, sensibilizadores de insulina (metformina) e indutores de ovulação são opções, juntamente com a suplementação pré-gestacional. Uma abordagem completa e multidisciplinar é essencial para o manejo eficaz da SOP.
Os critérios de Rotterdam (mais utilizados) exigem a presença de dois dos três: oligo ou anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras causas.
A metformina, um sensibilizador de insulina, é indicada para pacientes com SOP que apresentam resistência à insulina, obesidade ou intolerância à glicose. Ela pode melhorar a regularidade menstrual, reduzir o hiperandrogenismo e auxiliar na ovulação.
A SOP é uma das principais causas de infertilidade anovulatória. Para pacientes que desejam engravidar, a abordagem inclui modificações no estilo de vida, sensibilizadores de insulina (como metformina) e, se necessário, indutores de ovulação (como citrato de clomifeno ou letrozol), além de suplementação pré-gestacional.
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