UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2020
São consequências a longo prazo da Síndrome do ovário policístico:
SOP → ↑ risco de Diabetes Mellitus, Câncer Endometrial e Doença Cardiovascular a longo prazo.
A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é uma condição endócrina complexa com manifestações agudas e crônicas. A longo prazo, a resistência à insulina e o hiperandrogenismo crônico aumentam significativamente o risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 2, câncer endometrial e doenças cardiovasculares, exigindo monitoramento e manejo proativos.
A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10%. Caracteriza-se por disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. É uma condição heterogênea, mas a resistência à insulina desempenha um papel central em sua fisiopatologia. A fisiopatologia da SOP envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais. A resistência à insulina leva à hiperinsulinemia compensatória, que estimula a produção ovariana de androgênios e diminui a síntese hepática de globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), aumentando os níveis de androgênios livres. Isso contribui para a anovulação crônica e as manifestações clínicas de hiperandrogenismo. As consequências a longo prazo da SOP são significativas e incluem diabetes mellitus tipo 2 (devido à resistência à insulina), câncer endometrial (pela exposição estrogênica sem oposição progestacional na anovulação crônica) e doença cardiovascular (devido a dislipidemia, hipertensão, obesidade e inflamação). O manejo da SOP deve, portanto, ir além do controle dos sintomas e incluir o rastreamento e a prevenção dessas complicações crônicas, com modificações de estilo de vida, metformina e, em alguns casos, contraceptivos orais combinados.
Os critérios de Rotterdam (2 de 3) incluem: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia. Outras causas de hiperandrogenismo devem ser excluídas.
O risco aumentado de câncer endometrial na SOP é devido à exposição prolongada e desregulada ao estrogênio sem a oposição da progesterona, resultante da anovulação crônica. Isso leva à hiperplasia endometrial e, consequentemente, ao maior risco de malignidade.
A SOP aumenta o risco cardiovascular devido à resistência à insulina, dislipidemia (↑ triglicerídeos, ↓ HDL), hipertensão, obesidade e inflamação crônica, fatores que aceleram o desenvolvimento de aterosclerose e doenças cardíacas.
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