Síndrome de Ogilvie: Diagnóstico e Tratamento em Pacientes Críticos

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Você é chamado para avaliar um paciente na UTI. O paciente foi vítima de trauma com múltiplas fraturas e encontra-se intubado, com edema periférico importante e com altas doses de drogas vasoativas. Desde ontem, passou a apresentar quadro de distensão abdominal importante. A radiografia de abdome obtém o seguinte achado.Qual o diagnóstico do paciente e a conduta?

Alternativas

  1. A) Síndrome de Ogilvie – Laparatomia Exploradora.
  2. B) Abdome Agudo Perfurativo – Laparatomia Exploradora.
  3. C) Abdome Agudo Isquêmico – Anticoagulação.
  4. D) Edema de alça intestinal – Furosemida intravenosa.
  5. E) Síndrome de Ogilvie – Infusão de Neostigmina ou colonoscopia descompressiva.

Pérola Clínica

Síndrome de Ogilvie → pseudo-obstrução colônica aguda em paciente crítico → Neostigmina ou descompressão colonoscópica.

Resumo-Chave

A Síndrome de Ogilvie, ou pseudo-obstrução colônica aguda, é uma condição de dilatação colônica maciça sem obstrução mecânica, comum em pacientes críticos. O tratamento inicial inclui suporte e descompressão, sendo a neostigmina (agente colinérgico) e a colonoscopia descompressiva opções eficazes para reverter a dilatação.

Contexto Educacional

A Síndrome de Ogilvie, também conhecida como pseudo-obstrução colônica aguda, é uma condição caracterizada por uma dilatação maciça e aguda do cólon, geralmente do ceco e cólon direito, sem evidência de obstrução mecânica. É mais comum em pacientes hospitalizados, especialmente aqueles em unidades de terapia intensiva (UTI), com condições médicas graves como trauma, sepse, insuficiência cardíaca, pós-operatório de grandes cirurgias ou uso de múltiplos medicamentos (ex: opioides, anticolinérgicos). A importância clínica reside no risco de isquemia e perfuração colônica se não tratada. A fisiopatologia envolve uma disfunção do sistema nervoso autônomo entérico, com desequilíbrio entre a inervação simpática e parassimpática, levando à atonia colônica. O diagnóstico é feito pela apresentação clínica de distensão abdominal, dor e ausência de eliminação de flatos e fezes, juntamente com achados radiográficos de dilatação colônica significativa (ceco > 10-12 cm) e exclusão de obstrução mecânica por exames de imagem como tomografia computadorizada. O tratamento inicial inclui medidas de suporte, como suspensão de medicamentos que afetam a motilidade, correção de distúrbios eletrolíticos e descompressão nasogástrica. Se não houver melhora, a infusão intravenosa de neostigmina, um inibidor da acetilcolinesterase, é frequentemente eficaz para estimular a motilidade colônica. Em casos refratários ou com alto risco de perfuração, a colonoscopia descompressiva é uma opção terapêutica. A cirurgia é reservada para complicações como perfuração ou isquemia.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para desenvolver a Síndrome de Ogilvie?

A Síndrome de Ogilvie é comum em pacientes críticos, pós-cirúrgicos (especialmente cardíacos e ortopédicos), com trauma, sepse, distúrbios eletrolíticos, uso de opioides ou outras medicações que afetam a motilidade intestinal.

Qual o mecanismo de ação da Neostigmina na Síndrome de Ogilvie?

A Neostigmina é um inibidor da acetilcolinesterase, que aumenta a disponibilidade de acetilcolina na junção neuromuscular, estimulando a motilidade colônica e promovendo a descompressão do cólon dilatado.

Quando a colonoscopia descompressiva é indicada na Síndrome de Ogilvie?

A colonoscopia descompressiva é indicada quando a dilatação colônica é persistente, não responde à terapia farmacológica (como neostigmina) ou quando há risco iminente de perfuração, especialmente com diâmetro cecal > 12 cm.

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