Síndrome de Ogilvie: Diagnóstico e Tratamento em UTI

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2022

Enunciado

Um paciente está internado na UTI com quadro de COVID-19 avançado. O paciente encontra-se em uso de drogas vasoativas e em ventilação mecânica. O plantão da cirurgia geral foi acionado para avaliar um quadro de distensão abdominal. Na tomografia foram observadas as seguintes imagens.Qual o possível diagnóstico e a conduta?

Alternativas

  1. A) Perfuração intestinal, tratamento cirúrgico.
  2. B) Pseudo-obstrução colônica, tratamento cirúrgico.
  3. C) Ileo Paralítico, tratamento conservador com infusão intravenosa de procinéticos.
  4. D) Síndrome de Bouveret, tratamento por meio de colonoscopia descompressiva.
  5. E) Síndrome de Ogilvie, tratamento conservador com infusão intravenosa de neostigmina.

Pérola Clínica

Síndrome de Ogilvie = pseudo-obstrução colônica aguda, comum em pacientes críticos (COVID-19, UTI), tratada com neostigmina IV ou descompressão.

Resumo-Chave

A Síndrome de Ogilvie, ou pseudo-obstrução colônica aguda, é uma condição grave que cursa com dilatação maciça do cólon sem obstrução mecânica, frequentemente associada a pacientes críticos, como os internados em UTI com COVID-19. O tratamento conservador com neostigmina intravenosa é uma opção eficaz para promover a descompressão.

Contexto Educacional

A Síndrome de Ogilvie, também conhecida como pseudo-obstrução colônica aguda, é uma condição caracterizada por uma dilatação maciça do cólon, especialmente do ceco e cólon direito, sem evidência de obstrução mecânica. É uma complicação grave que afeta principalmente pacientes hospitalizados e criticamente enfermos, com uma mortalidade significativa se não reconhecida e tratada precocemente. A COVID-19 avançada em pacientes de UTI é um fator de risco emergente para esta síndrome. A fisiopatologia envolve uma disfunção do sistema nervoso autônomo entérico, resultando em um desequilíbrio entre a inervação simpática e parassimpática do cólon, levando à atonia e dilatação. O diagnóstico é feito pela clínica de distensão abdominal e confirmado por exames de imagem (radiografia simples de abdome, tomografia computadorizada) que mostram dilatação colônica significativa sem um ponto de transição obstrutivo. É crucial diferenciar de obstrução mecânica e íleo paralítico. O tratamento inicial inclui suporte clínico, correção de distúrbios eletrolíticos, suspensão de medicamentos que afetam a motilidade intestinal e descompressão nasogástrica. A neostigmina intravenosa é a terapia farmacológica de escolha, promovendo a contração colônica. Em casos de falha da neostigmina ou risco iminente de perfuração (ceco > 12 cm), a descompressão colonoscópica é indicada. A cirurgia é reservada para casos de perfuração ou isquemia colônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para a Síndrome de Ogilvie?

A Síndrome de Ogilvie é frequentemente associada a pacientes críticos, trauma, cirurgias recentes (especialmente cardíacas ou ortopédicas), sepse, distúrbios eletrolíticos, uso de opioides e doenças neurológicas. Pacientes com COVID-19 grave em UTI também têm risco aumentado.

Como a neostigmina age no tratamento da Síndrome de Ogilvie?

A neostigmina é um inibidor da acetilcolinesterase, que aumenta a concentração de acetilcolina na junção neuromuscular, estimulando a motilidade colônica e promovendo a descompressão do cólon dilatado.

Quando a descompressão colonoscópica é indicada na Síndrome de Ogilvie?

A descompressão colonoscópica é indicada quando o tratamento farmacológico com neostigmina falha, ou em casos de dilatação colônica extrema (ceco > 12 cm) com risco iminente de perfuração, para aliviar a distensão e prevenir complicações.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo