UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2023
Paciente, 78 anos, portador de DPOC e doença coronariana, foi admitido no hospital há 23 dias devido uma fratura de colo de fêmur. Foi solicitado avaliação da equipe de cirurgia devido distensão abdominal importante. Paciente relata ainda parada de eliminação de flatos e fezes há cerca de 4 dias e dor abdominal em cólica de baixa intensidade. Ao exame, paciente em bom estado geral, abdome distendido, hipertipânico, peristalse reduzida. Realizada radiografia de abdome que evidenciou distensão de todo cólon até o reto. Considerando os dados apresentados, a hipótese mais provável para o diagnóstico é:
Idoso acamado, distensão abdominal, parada de flatos/fezes, RX: cólon distendido até reto → Pseudo-obstrução intestinal (Ogilvie).
A pseudo-obstrução intestinal aguda (Síndrome de Ogilvie) é uma condição de dilatação colônica maciça sem obstrução mecânica, comum em idosos hospitalizados com comorbidades e imobilidade. A radiografia de abdome mostrando distensão de todo o cólon até o reto é um achado chave para o diagnóstico.
A Síndrome de Ogilvie, ou pseudo-obstrução intestinal aguda, é uma condição caracterizada por uma dilatação maciça e aguda do cólon na ausência de uma obstrução mecânica que impeça a passagem de fezes e gases. É mais comum em pacientes idosos, hospitalizados, com múltiplas comorbidades como DPOC e doença coronariana, e que foram submetidos a cirurgias recentes (especialmente ortopédicas ou cardíacas) ou que estão em uso de medicamentos que afetam a motilidade intestinal, como opioides. A imobilidade prolongada é um fator contribuinte importante. O diagnóstico da Síndrome de Ogilvie é primariamente clínico e radiológico. Os pacientes apresentam distensão abdominal progressiva, dor abdominal em cólica de intensidade variável e parada de eliminação de flatos e fezes. Ao exame físico, o abdome é distendido e hipertimpânico, com peristalse diminuída. A radiografia simples de abdome é crucial, evidenciando distensão gasosa do cólon, que pode se estender do ceco até o reto, sem um ponto de transição claro. A tomografia computadorizada de abdome é útil para excluir uma obstrução mecânica e avaliar complicações. O tratamento inicial é conservador, focando na descompressão do cólon, correção de distúrbios eletrolíticos, suspensão de medicamentos que afetam a motilidade e mobilização do paciente. Se não houver melhora clínica em 24-48 horas ou se o diâmetro cecal exceder 12 cm (risco de perfuração), a neostigmina intravenosa pode ser utilizada para estimular a motilidade colônica. A descompressão colonoscópica é outra opção terapêutica. A cirurgia é reservada para casos de perfuração ou isquemia intestinal, ou falha das terapias menos invasivas.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, imobilidade, cirurgias recentes (especialmente ortopédicas ou cardíacas), trauma, infecções graves (sepse), distúrbios metabólicos e uso de certos medicamentos como opioides e anticolinérgicos.
A radiografia de abdome tipicamente mostra uma dilatação acentuada do cólon, que pode se estender do ceco até o reto, sem evidência de um ponto de obstrução mecânica. O ceco é frequentemente o segmento mais dilatado e o de maior risco de perfuração.
A conduta inicial envolve suporte clínico, suspensão de medicamentos que possam agravar a condição, correção de distúrbios eletrolíticos, descompressão nasogástrica e mobilização do paciente. Se não houver melhora ou se o ceco estiver muito dilatado (>12 cm), pode-se considerar a neostigmina ou descompressão colonoscópica.
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