Síndrome de Ogilvie: Diagnóstico e Manejo em UTI

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 65 anos, internado em unidade de terapia intensiva para tratamento de pneumonia viral e síndrome respiratória aguda grave. Em ventilação mecânica invasiva e dieta por sonda nasoenteral. Apresentou distensão abdominal, quando foram realizadas algumas lavagens com solução glicerinada sem retorno satisfatório. Trata-se, POSSIVELMENTE, de:

Alternativas

  1. A) síndrome de Olgivie.
  2. B) colite pseudomembranosa.
  3. C) colite isquêmica.
  4. D) isquemia mesentérica.

Pérola Clínica

Síndrome de Ogilvie → pseudo-obstrução colônica aguda em pacientes críticos, distensão abdominal sem obstrução mecânica.

Resumo-Chave

A Síndrome de Ogilvie é uma pseudo-obstrução colônica aguda que ocorre em pacientes gravemente enfermos, frequentemente em UTI, com distensão abdominal significativa sem evidência de obstrução mecânica. É crucial diferenciá-la de outras causas de obstrução para evitar perfuração.

Contexto Educacional

A Síndrome de Ogilvie, ou pseudo-obstrução colônica aguda, é uma condição caracterizada por dilatação maciça do cólon na ausência de obstrução mecânica. É mais comum em pacientes hospitalizados com doenças graves, traumas, cirurgias recentes (especialmente cardíacas ou ortopédicas), ou uso de certos medicamentos, como opioides. Sua importância clínica reside no risco de perfuração cecal se a dilatação for excessiva e não tratada. A fisiopatologia envolve uma disfunção autonômica do cólon, com desequilíbrio entre a inervação simpática e parassimpática, levando à atonia e dilatação. O diagnóstico é feito pela exclusão de obstrução mecânica, geralmente com radiografias abdominais que mostram dilatação colônica (principalmente do ceco, que é o ponto de maior risco de perfuração quando > 10-12 cm de diâmetro) e, se necessário, tomografia computadorizada ou enema contrastado. A suspeita deve surgir em pacientes críticos com distensão abdominal inexplicada. O tratamento visa descompressão do cólon e prevenção da perfuração. Inicialmente, medidas conservadoras incluem suspensão de medicamentos que afetam a motilidade, correção de distúrbios eletrolíticos e descompressão nasogástrica. Se a dilatação persistir ou for grave, a neostigmina intravenosa pode ser utilizada para estimular a motilidade colônica. Em casos refratários ou com risco iminente de perfuração, a descompressão colonoscópica é indicada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da Síndrome de Ogilvie?

A Síndrome de Ogilvie manifesta-se principalmente por distensão abdominal progressiva, dor abdominal, náuseas e vômitos, e ausência de eliminação de flatos ou fezes, em um contexto de doença grave ou trauma.

Como é feito o diagnóstico da Síndrome de Ogilvie?

O diagnóstico é clínico e radiológico, com radiografias abdominais mostrando dilatação colônica (especialmente do ceco > 10-12 cm) e ausência de obstrução mecânica em exames contrastados ou tomografia.

Qual o tratamento inicial para a Síndrome de Ogilvie?

O tratamento inicial envolve suporte clínico, suspensão de medicamentos que diminuem a motilidade intestinal, descompressão nasogástrica e, se a dilatação persistir, uso de neostigmina ou descompressão colonoscópica.

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