Síndrome de Ogilvie: Diagnóstico e Tratamento no Pós-Operatório

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 84 anos, em 7o dia pós-operatório de cirurgia ortopédica, evoluiu com distensão abdominal importante, parada de eliminação de flatos e fezes, além de dor abdominal. Apresenta-se desidratado e taquicárdico. O hemograma é normal, K+ sérico de 5,7 e o lactato de 1.2. Optou-se por radiografia de abdome agudo, demonstrada abaixo: A melhor conduta é:

Alternativas

  1. A) Colectomia parcial.
  2. B) Colonoscopia descompressiva.
  3. C) Sonda nasogástrica, hidratação venosa e jejum.
  4. D) Colostomia em alça.

Pérola Clínica

Pós-operatório + distensão abdominal + parada de flatos/fezes + Rx dilatação colônica = Síndrome de Ogilvie. Conduta: Colonoscopia descompressiva.

Resumo-Chave

A Síndrome de Ogilvie é uma pseudo-obstrução colônica aguda, comum em pacientes idosos e pós-operatórios, caracterizada por dilatação maciça do cólon sem obstrução mecânica. A colonoscopia descompressiva é a melhor conduta para aliviar a distensão e prevenir a perfuração, especialmente quando o tratamento conservador falha.

Contexto Educacional

A Síndrome de Ogilvie, ou pseudo-obstrução colônica aguda, é uma condição grave caracterizada por dilatação maciça do cólon na ausência de obstrução mecânica. É mais comum em pacientes idosos e debilitados, frequentemente após cirurgias, traumas, sepse ou uso de certos medicamentos. A fisiopatologia envolve uma disfunção do sistema nervoso autônomo entérico, levando a um desequilíbrio entre a inervação simpática e parassimpática, resultando em atonia colônica. O reconhecimento precoce é vital para prevenir complicações como isquemia e perfuração colônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para o desenvolvimento da Síndrome de Ogilvie?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, cirurgias recentes (especialmente ortopédicas ou cardíacas), trauma, sepse, doenças neurológicas, uso de opioides e outras medicações que afetam a motilidade intestinal, e distúrbios eletrolíticos. É uma condição multifatorial que afeta predominantemente pacientes hospitalizados.

Como a radiografia de abdome agudo auxilia no diagnóstico da Síndrome de Ogilvie?

A radiografia de abdome agudo é crucial para o diagnóstico, mostrando uma dilatação significativa do cólon, especialmente do ceco (geralmente > 10-12 cm), sem evidência de obstrução mecânica distal. A presença de ar no reto ou sigmoide pode ajudar a diferenciar de uma obstrução verdadeira, embora nem sempre seja conclusiva.

Quando a colonoscopia descompressiva é indicada na Síndrome de Ogilvie?

A colonoscopia descompressiva é indicada quando o tratamento conservador (suspensão de medicações, correção eletrolítica, descompressão nasogástrica, deambulação) falha em 24-48 horas, ou quando há sinais de dilatação progressiva do ceco (especialmente > 12 cm) com risco iminente de perfuração. A neostigmina pode ser tentada antes da colonoscopia em casos selecionados.

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