HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025
Mulher, de 70 anos de idade, procurou o pronto atendimento por dor abdominal difusa, associada a parada de eliminação de fezes, há quatro dias. Nega náuseas ou vômitos. Tem antecedente pessoal de obstipação crônica, fazendo uso frequente de laxativos orais. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, hidratada, estável hemodinamicamente. O abdome está distendido, flácido, doloroso à palpação profunda, sem sinais de irritação peritoneal. O toque retal evidencia ampola vazia. Os exames laboratoriais estão normais e a radiografia convencional de abdome encontra-se ilustrada a seguir: Considerando a principal hipótese diagnóstica para esta paciente, qual é a conduta indicada neste momento?
Idoso com distensão abdominal, parada de eliminação e ampola vazia → suspeitar Ogilvie's → colonoscopia descompressiva.
Em pacientes idosos com constipação crônica e quadro de obstrução intestinal sem causa mecânica evidente (como na Síndrome de Ogilvie), a descompressão colonoscópica é uma conduta terapêutica eficaz para aliviar a distensão e prevenir complicações como a perfuração.
A Síndrome de Ogilvie, ou pseudo-obstrução colônica aguda, é uma condição caracterizada por dilatação maciça do cólon na ausência de obstrução mecânica. É mais comum em idosos, pacientes acamados ou com comorbidades graves, frequentemente após cirurgias, traumas, infecções ou uso de certos medicamentos (como opioides). A etiologia exata é desconhecida, mas acredita-se que envolva disfunção autonômica do cólon, resultando em um desequilíbrio entre a inervação simpática e parassimpática. Clinicamente, apresenta-se com distensão abdominal progressiva, dor difusa, náuseas e vômitos, e parada de eliminação de gases e fezes. O exame físico revela abdome distendido e timpânico, e o toque retal pode evidenciar ampola vazia. O diagnóstico é feito por exclusão de obstrução mecânica, geralmente com radiografias de abdome (que mostram dilatação colônica, especialmente do ceco) e tomografia computadorizada para descartar causas obstrutivas. A dilatação cecal > 10-12 cm é um sinal de alerta para risco iminente de perfuração. O tratamento inicial envolve suporte clínico, suspensão de medicamentos que afetam a motilidade intestinal e descompressão. Se a dilatação persistir ou for excessiva, a colonoscopia descompressiva é a conduta de escolha, pois permite a aspiração de gases e, por vezes, a colocação de um cateter para descompressão contínua. Em casos refratários à colonoscopia, pode-se considerar a neostigmina intravenosa, um agente procinético, mas com monitorização cardíaca devido aos seus efeitos colaterais. A cirurgia é reservada para perfuração, isquemia ou falha de todas as outras abordagens.
A Síndrome de Ogilvie é diagnosticada pela dilatação maciça do cólon (especialmente ceco > 10-12 cm) na ausência de obstrução mecânica, geralmente em pacientes com comorbidades ou após eventos precipitantes como cirurgia ou trauma.
A colonoscopia descompressiva é indicada quando as medidas conservadoras falham em reduzir a dilatação colônica, especialmente se o ceco atingir diâmetros críticos (>10-12 cm), para prevenir isquemia e perfuração.
Além da colonoscopia, o tratamento inclui medidas de suporte (suspensão de medicamentos que afetam a motilidade), e em casos refratários, a infusão intravenosa de neostigmina, um inibidor da acetilcolinesterase, sob monitorização cardíaca.
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