USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente no 3o dia pós-operatório para correção de fratura de fêmur esquerdo. Apresenta distensão abdominal, sem sinais de irritação peritoneal, som timpânico a percussão do abdome, conforme imagens a seguir: Com base nessas inforações, qual é o tratamento recomendado para este paciente?
Distensão colônica massiva sem obstrução mecânica no pós-op → Síndrome de Ogilvie.
A Síndrome de Ogilvie é uma pseudo-obstrução colônica aguda comum em pacientes graves ou pós-cirúrgicos. O tratamento envolve suporte clínico, neostigmina ou colonoscopia descompressiva em casos refratários.
A Síndrome de Ogilvie, ou pseudo-obstrução colônica aguda, caracteriza-se por uma dilatação maciça do cólon na ausência de uma causa mecânica extrínseca ou intrínseca. Ocorre tipicamente em pacientes hospitalizados com doenças sistêmicas graves, traumas ou após cirurgias ortopédicas e pélvicas. A fisiopatologia envolve um desequilíbrio no sistema nervoso autônomo, com supressão da atividade parassimpática ou excesso de atividade simpática. O diagnóstico é clínico-radiológico. O manejo inicial foca na correção de distúrbios hidroeletrolíticos, suspensão de drogas que reduzem a motilidade (opioides, anticolinérgicos) e descompressão gástrica. A intervenção farmacológica com neostigmina ou a descompressão endoscópica são reservadas para casos refratários ou com dilatação cecal crítica (>10-12 cm), visando evitar a isquemia e perfuração da parede colônica.
A colonoscopia descompressiva está indicada quando o diâmetro do ceco ultrapassa 10-12 cm, quando há falha no tratamento conservador com medidas de suporte e neostigmina, ou quando há sinais de sofrimento de alça iminente. É um procedimento técnico que visa reduzir a pressão intraluminal e prevenir a perfuração cecal, que é a complicação mais temida e com alta mortalidade.
A neostigmina é um inibidor da acetilcolinesterase que aumenta o tônus parassimpático, promovendo a motilidade colônica. É frequentemente a primeira linha farmacológica após falha das medidas conservadoras (jejum, sonda nasogástrica, correção eletrolítica). Deve ser administrada sob monitorização cardíaca devido ao risco de bradicardia severa, sendo contraindicada em casos de obstrução mecânica confirmada ou bradiarritmias.
Clinicamente, a Síndrome de Ogilvie apresenta distensão abdominal importante, muitas vezes indolor ou com dor leve, em pacientes com comorbidades graves ou pós-operatório. A imagem (RX ou TC) mostra dilatação colônica, frequentemente até o cólon distal, sem um ponto de transição abrupto ou massa obstrutiva. A ausência de sinais de irritação peritoneal inicialmente sugere a natureza funcional da condição.
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