Síndrome de Ogilvie: Diagnóstico em Pacientes Críticos

DASA - Diagnósticos da América (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 65 anos, internado em unidade de terapia intensiva para tratamento de pneumonia viral e síndrome respiratória aguda grave. Em ventilação mecânica invasiva e dieta por sonda nasoenteral. Apresentou distensão abdominal, quando foram realizadas algumas lavagens com solução glicerinada sem retorno satisfatório. Não apresenta diarreia. Exames séricos normais. A tomografia de abdome não evidencia lesões obstrutivas. Trata-se, possivelmente, de:

Alternativas

  1. A) Síndrome de Olgivie.
  2. B) Colite pseudomembranosa.
  3. C) Colite isquêmica.
  4. D) Isquemia mesentérica.

Pérola Clínica

Distensão abdominal maciça + ausência de obstrução mecânica em paciente crítico (UTI, VM) → Síndrome de Ogilvie.

Resumo-Chave

A Síndrome de Ogilvie, ou pseudo-obstrução colônica aguda, é uma condição caracterizada por dilatação significativa do cólon sem evidência de obstrução mecânica. É comum em pacientes gravemente enfermos na UTI, com múltiplos fatores de risco como sepse, trauma, cirurgia recente, uso de opioides e ventilação mecânica, e deve ser suspeitada na presença de distensão abdominal progressiva.

Contexto Educacional

A Síndrome de Ogilvie, também conhecida como pseudo-obstrução colônica aguda, é uma condição grave caracterizada por dilatação maciça e aguda do cólon na ausência de obstrução mecânica. É mais comum em pacientes idosos e gravemente enfermos, frequentemente internados em unidades de terapia intensiva (UTI), com múltiplas comorbidades e expostos a fatores precipitantes como trauma, cirurgia recente, sepse, distúrbios eletrolíticos, doenças neurológicas e uso de medicamentos (opioides, anticolinérgicos). A fisiopatologia envolve uma disfunção do sistema nervoso autônomo, resultando em desequilíbrio entre a inervação simpática e parassimpática do cólon, levando à atonia e dilatação. Clinicamente, os pacientes apresentam distensão abdominal progressiva, dor abdominal e, por vezes, náuseas e vômitos. A ausência de diarreia e a falha de medidas simples como lavagens glicerinadas, em um paciente crítico, devem levantar a suspeita. O diagnóstico é feito pela exclusão de obstrução mecânica. Radiografias abdominais mostram dilatação colônica, e a tomografia computadorizada de abdome é essencial para confirmar a ausência de lesões obstrutivas e avaliar o grau de dilatação, especialmente do ceco (risco de perfuração se >12 cm). O tratamento inicial é conservador, com suporte, correção de distúrbios eletrolíticos e suspensão de medicamentos. Se a dilatação persistir ou houver risco de perfuração, a neostigmina ou a descompressão colonoscópica podem ser indicadas.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para o desenvolvimento da Síndrome de Ogilvie?

A Síndrome de Ogilvie é frequentemente associada a pacientes gravemente enfermos, com fatores de risco como sepse, trauma, cirurgia recente (especialmente cardíaca ou ortopédica), doenças neurológicas, distúrbios metabólicos, uso de opioides e ventilação mecânica.

Como a tomografia de abdome auxilia no diagnóstico da Síndrome de Ogilvie?

A tomografia de abdome é crucial para excluir uma obstrução mecânica. Na Síndrome de Ogilvie, ela revela dilatação colônica significativa (geralmente > 9-12 cm no ceco) sem evidência de lesão obstrutiva, massa ou ponto de transição.

Qual a conduta inicial para a Síndrome de Ogilvie?

A conduta inicial inclui suporte clínico, suspensão de medicamentos que afetam a motilidade intestinal, descompressão nasogástrica e, se a dilatação for progressiva ou houver risco de perfuração, pode-se considerar a neostigmina (agente colinérgico) ou descompressão colonoscópica.

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