Síndrome de Ogilvie: Diagnóstico e Manejo da Pseudo-obstrução

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 55 anos, acamado por sequela de AVC, com história prévia de tratamento psiquiátrico e uso de antidepressivo tricíclico há longa data, deu entrada na urgência com quadro de dor e aumento do volume abdominal, além de náuseas e vômitos há 2 dias. Ao exame, estado geral comprometido, desidratado, taquicárdico. Abdômen bastante distendido, doloroso à palpação profunda difusamente, mas sem sinais de irritação peritoneal; peristaltismo reduzido. Radiografias de abdômen/tórax revelaram ceco distendido, com diâmetro aproximado de 14cm, presença de nível hidroaéreo, mas sem pneumoperitônio. Diante do caso, qual a conduta mais adequada a ser tomada?

Alternativas

  1. A) Laparotomia exploradora imediata.
  2. B) Punção e esvaziamento do ceco guiado por USG.
  3. C) Colonoscopia descompressiva.
  4. D) Estímulo à peristalse intestinal com neostigmina.
  5. E) Tratamento conservador, incluindo reposição hídrica, correção de ionopatias, passagem de SNG, antibioticoterapia e reavaliação com 24h

Pérola Clínica

Paciente acamado, uso de tricíclico, distensão abdominal com ceco > 12cm sem obstrução mecânica ou pneumoperitônio → Síndrome de Ogilvie → Laparotomia se risco de perfuração.

Resumo-Chave

A Síndrome de Ogilvie, ou pseudo-obstrução colônica aguda, é uma dilatação maciça do cólon sem obstrução mecânica, comum em pacientes acamados, pós-cirúrgicos, com comorbidades neurológicas (AVC) ou em uso de medicamentos com efeito anticolinérgico (antidepressivos tricíclicos). Um diâmetro cecal > 12-14 cm indica alto risco de perfuração, exigindo intervenção imediata.

Contexto Educacional

A Síndrome de Ogilvie, ou pseudo-obstrução colônica aguda, é uma condição caracterizada por uma dilatação maciça do cólon, especialmente do ceco e cólon ascendente, na ausência de uma obstrução mecânica. É mais comum em pacientes hospitalizados, acamados, com comorbidades graves (como AVC), pós-cirúrgicos ou em uso de medicamentos que afetam a motilidade intestinal, como opioides e antidepressivos tricíclicos, que possuem efeitos anticolinérgicos. A fisiopatologia envolve uma disfunção autonômica do cólon, com desequilíbrio entre a inervação simpática e parassimpática, levando à atonia e dilatação. O diagnóstico é feito pela exclusão de obstrução mecânica (radiografias, TC de abdômen) e pela presença de distensão colônica significativa, sendo o diâmetro cecal um indicador crucial de risco de perfuração. Um ceco com mais de 12-14 cm de diâmetro é considerado de alto risco e exige atenção imediata. O tratamento inicial é conservador, com suspensão de medicamentos que afetam a motilidade, correção de distúrbios hidroeletrolíticos, passagem de sonda nasogástrica e estímulo à deambulação. Se o ceco estiver muito distendido (>12-14 cm) ou houver falha do tratamento conservador, a descompressão é necessária. A colonoscopia descompressiva é uma opção, mas em casos com alto risco de perfuração ou sinais de irritação peritoneal, a laparotomia exploradora imediata é a conduta mais adequada para evitar peritonite e sepse, que são complicações graves.

Perguntas Frequentes

Quais fatores de risco estão associados à Síndrome de Ogilvie?

Pacientes acamados, pós-cirúrgicos, com trauma, sepse, distúrbios metabólicos, doenças neurológicas (AVC) e uso de medicamentos (opioides, anticolinérgicos, antidepressivos tricíclicos) são mais suscetíveis à Síndrome de Ogilvie.

Quando a colonoscopia descompressiva é indicada na Síndrome de Ogilvie?

É indicada quando o tratamento conservador falha e o diâmetro cecal é > 10-12 cm, na ausência de sinais de irritação peritoneal ou perfuração, e em pacientes com baixo risco cirúrgico.

Qual o papel da neostigmina no tratamento da Síndrome de Ogilvie?

A neostigmina, um inibidor da acetilcolinesterase, pode ser usada para descompressão em pacientes sem contraindicações cardíacas, mas requer monitorização rigorosa devido a efeitos adversos como bradicardia e broncoespasmo.

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