Complicações de Materiais Viscoelásticos na Catarata

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011

Enunciado

Assinale a alternativa correta em relação às complicações causadas pelos materiais viscoelásticos utilizados na cirurgia de catarata:

Alternativas

  1. A) A principal complicação pós-operatória é o aumento da pressão intraocular, ocorrendo mais frequentemente entre a primeira e a segunda semanas
  2. B) A síndrome da oclusão viscoelástica, complicação peroperatória rara, ocorre geralmente com o uso de composto dispersivo
  3. C) Os agentes dispersivos, por apresentarem menor peso molecular, não precisam ser aspirados ao final da cirurgia
  4. D) Toxicidade endotelial é frequente, sendo mais comum com o uso do composto coesivo

Pérola Clínica

Síndrome da oclusão viscoelástica = complicação peroperatória rara associada a compostos dispersivos.

Resumo-Chave

Viscoelásticos dispersivos protegem o endotélio mas são difíceis de aspirar; a síndrome da oclusão ocorre quando o material bloqueia a ponta do faco, impedindo o fluxo.

Contexto Educacional

Os Dispositivos Viscoelásticos Oftálmicos (OVDs) são essenciais na cirurgia moderna de catarata para manter a câmara anterior e proteger o endotélio. Contudo, o cirurgião deve conhecer as propriedades reológicas de cada tipo. A síndrome da oclusão viscoelástica é um risco real com dispersivos se o fluxo não for monitorado. Além disso, a remoção incompleta de qualquer OVD é a causa mais comum de hipertensão ocular transitória no pós-operatório imediato. O conhecimento dessas complicações é vital para garantir a segurança endotelial e a estabilidade da pressão ocular no período crítico após a facoemulsificação.

Perguntas Frequentes

O que é a síndrome da oclusão viscoelástica?

A síndrome da oclusão viscoelástica é uma complicação peroperatória rara que ocorre tipicamente com o uso de agentes viscoelásticos dispersivos. Devido à sua baixa viscosidade e alta adesividade, esses materiais podem aderir e obstruir a ponta da caneta de facoemulsificação ou a linha de aspiração. Isso interrompe o fluxo de resfriamento e a aspiração de fragmentos, podendo levar ao superaquecimento da ponta (burn) e lesão térmica da incisão corneana, além de flutuações perigosas na profundidade da câmara anterior durante a cirurgia.

Qual a diferença clínica entre viscoelásticos coesivos e dispersivos?

Os viscoelásticos coesivos (ex: hialuronato de sódio de alto peso molecular) mantêm bem o espaço e são fáceis de remover em bloco, mas podem ser aspirados acidentalmente durante a facoemulsificação. Já os dispersivos (ex: condroitin sulfato) têm menor peso molecular, aderem melhor ao endotélio corneano protegendo-o contra trauma mecânico e energia ultrassônica, porém são muito mais difíceis de aspirar completamente ao final da cirurgia, exigindo técnica minuciosa para evitar hipertensão ocular pós-operatória.

Quando ocorre o aumento da PIO por viscoelástico?

O aumento da pressão intraocular (PIO) decorrente da retenção de material viscoelástico ocorre precocemente, geralmente nas primeiras 6 a 24 horas após a cirurgia. O material remanescente obstrui mecanicamente a malha trabecular, dificultando o escoamento do humor aquoso. Diferente do que algumas alternativas sugerem, esse pico hipertensivo não costuma esperar uma ou duas semanas; se a PIO subir tardiamente, deve-se investigar outras causas como inflamação, resposta a corticoides ou bloqueio pupilar.

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