SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015
Paciente masculino, 64 anos, com história de dispneia progressiva e fadiga aos esforços há cerca de 5 anos. Negava ortopneia ou dispneia paroxística noturna. Referia roncos. Procurou atendimento médico por conta de uma síncope após tentar subir um lance de escada. O exame físico demonstrava IMC: 41 kg/cm² e veia jugular túrgida a 45° com onda v do pulso venoso proeminente. Apresentava ainda ictus cordis palpável no epigástrio, sopro holossistólico na borda esternal esquerda e edema de membros inferiores (+2/+4). Ausculta respiratória normal. A gasometria arterial revelava pH: 7,32; PaCO2: 60 mmHg; PaO2: 68 mmHg; HCO3: 30 mEq/L; SaO2: 93%. Radiografia de Tórax com abaulamento do tronco pulmonar sem outras alterações. Diante desse contexto, o diagnóstico mais provável para essa sequência de eventos é:
Obesidade + hipoventilação alveolar crônica + hipercapnia diurna = Síndrome Obesidade-Hipoventilação.
A Síndrome Obesidade-Hipoventilação (SOH) é caracterizada por obesidade (IMC > 30 kg/m²), hipoventilação alveolar crônica (PaCO2 > 45 mmHg) e distúrbios respiratórios do sono, na ausência de outras causas para a hipoventilação. A síncope pode ser um sintoma de hipertensão pulmonar e cor pulmonale, complicações comuns da SOH.
A Síndrome Obesidade-Hipoventilação (SOH), também conhecida como Síndrome de Pickwick, é uma condição complexa caracterizada por obesidade, hipoventilação alveolar crônica e distúrbios respiratórios do sono, na ausência de outras causas primárias de hipoventilação. Sua prevalência tem aumentado em paralelo com a epidemia de obesidade, tornando-se um diagnóstico importante na prática clínica. É crucial reconhecer seus sinais e sintomas para evitar complicações graves. A fisiopatologia da SOH envolve uma combinação de fatores mecânicos (carga excessiva na parede torácica e diafragma devido à obesidade), metabólicos (leptina, inflamação) e neurológicos (resposta ventilatória alterada à hipoxemia e hipercapnia). O diagnóstico é confirmado pela gasometria arterial que revela hipercapnia diurna (PaCO2 > 45 mmHg) e hipoxemia, além de um IMC > 30 kg/m². A suspeita deve surgir em pacientes obesos com dispneia, fadiga, sonolência diurna excessiva, sinais de insuficiência cardíaca direita e alterações gasométricas sugestivas. O tratamento da SOH visa melhorar a ventilação e oxigenação, sendo a perda de peso a intervenção mais eficaz a longo prazo. A ventilação não invasiva (VNI), geralmente CPAP ou BiPAP, é frequentemente necessária para corrigir a hipoventilação e tratar a apneia do sono associada. O prognóstico melhora significativamente com o tratamento adequado, prevenindo complicações como hipertensão pulmonar, cor pulmonale e eventos cardiovasculares.
Os critérios incluem obesidade (IMC > 30 kg/m²), hipoventilação alveolar crônica (PaCO2 > 45 mmHg) e distúrbios respiratórios do sono, na ausência de outras causas de hipoventilação.
A hipoxemia e hipercapnia crônicas levam à vasoconstrição pulmonar, aumentando a resistência vascular pulmonar e causando hipertensão pulmonar, que sobrecarrega o ventrículo direito, resultando em cor pulmonale.
A gasometria arterial típica mostra acidose respiratória crônica compensada, com pH ligeiramente baixo, PaCO2 elevada, PaO2 reduzida e bicarbonato (HCO3) elevado.
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