Síndrome de Nutcracker: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menino, de 10 anos de idade, foi trazido à unidade de emergência por quadro de dor abdominal quando faz esforço físico e hematúria intermitente. Tem história de baixa estatura e baixo índice de massa corpórea. Ao exame, está em bom estado geral, emagrecido, com frequência cardíaca de 89bpm, frequência respiratória de 15irpm e pressão arterial de 120x80mmHg. O abdome está plano, flácido e indolor à palpação, sem sinais de peritonismo. Sinais de Blumberg e Giordano negativos. A tomografia de abdome com contraste pode ser vista nas imagens a seguir: Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Síndrome de Wilkie
  2. B) Síndrome de May-Thurner
  3. C) Síndrome de Nutcracker
  4. D) Síndrome de Cocket

Pérola Clínica

Síndrome de Nutcracker = compressão da veia renal esquerda (AMS/aorta) → hematúria + dor abdominal.

Resumo-Chave

A Síndrome de Nutcracker (ou Síndrome do Quebra-Nozes) ocorre pela compressão da veia renal esquerda entre a artéria mesentérica superior e a aorta, levando a hipertensão venosa renal. Manifesta-se com hematúria (macro ou microscópica, intermitente), dor abdominal ou no flanco, que pode piorar com o esforço físico, e, em crianças, pode estar associada a baixa estatura e baixo IMC.

Contexto Educacional

A Síndrome de Nutcracker, também conhecida como Síndrome do Quebra-Nozes, é uma condição rara caracterizada pela compressão da veia renal esquerda. Na maioria dos casos, essa compressão ocorre entre a artéria mesentérica superior (AMS) e a aorta abdominal, na chamada 'pinça aorto-mesentérica'. Menos frequentemente, pode haver uma compressão posterior entre a aorta e a coluna vertebral. Essa compressão leva a um aumento da pressão venosa na veia renal esquerda e seus afluentes, resultando em congestão venosa renal. Embora possa ser assintomática, é uma causa importante de hematúria e dor abdominal, especialmente em crianças e adolescentes. As manifestações clínicas da Síndrome de Nutcracker são variadas e dependem da gravidade da compressão e da hipertensão venosa. O sintoma mais comum é a hematúria, que pode ser macroscópica ou microscópica, intermitente e frequentemente piora com o esforço físico. Outros sintomas incluem dor abdominal ou no flanco esquerdo, dor lombar, proteinúria, fadiga, e em meninos, varicocele. Em crianças, a condição pode estar associada a baixa estatura e baixo índice de massa corpórea, possivelmente devido à dor crônica e à perda de sangue. O diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos e exames de imagem. A ultrassonografia Doppler renal é um bom método de triagem, mostrando alterações no fluxo e diâmetro da veia renal. A angiotomografia ou angioressonância são úteis para visualizar a compressão e a anatomia vascular. O tratamento varia desde a observação em casos leves até intervenções cirúrgicas (como transposição da veia renal ou stent endovascular) em casos sintomáticos e graves. É fundamental considerar essa síndrome no diagnóstico diferencial de hematúria inexplicada, especialmente em pacientes jovens.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas mais comuns da Síndrome de Nutcracker?

Os sintomas mais comuns incluem hematúria (microscópica ou macroscópica, que pode ser intermitente e piorar com o esforço), dor abdominal ou no flanco esquerdo, dor lombar, proteinúria e, em casos graves, varicocele em homens ou dor pélvica em mulheres.

Qual a fisiopatologia da Síndrome de Nutcracker?

A fisiopatologia envolve a compressão da veia renal esquerda entre a artéria mesentérica superior (anteriormente) e a aorta (posteriormente), ou entre a aorta e a coluna vertebral (tipo posterior). Essa compressão causa um aumento da pressão venosa na veia renal esquerda e seus afluentes, levando à ruptura de pequenas veias e capilares no sistema coletor renal, resultando em hematúria.

Como é feito o diagnóstico da Síndrome de Nutcracker?

O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem. A ultrassonografia Doppler renal é o método inicial, mostrando aumento da velocidade do fluxo e dilatação da veia renal esquerda proximal ao ponto de compressão. A angiotomografia ou angioressonância são confirmatórias, visualizando a compressão e o 'bico' da veia. A venografia renal com medida de gradiente de pressão é o padrão-ouro.

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