Síndrome Neuroléptica Maligna: Etiologia e Manejo

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2015

Enunciado

Sobre a síndrome neuroléptica maligna, assinale a afirmativa ERRADA:

Alternativas

  1. A) Paciente apresenta-se com hipertermia , rigidez muscular e sinais extrapiramidais característicos associados a história de uso de neurolépticos.
  2. B) Ocorre rabdomiólise, com aumento moderado da CPK. Insuficiência renal se desenvolve em 10 a 30% dos casos e o acometimento pulmonar é comum decorrente de broncoaspiração.
  3. C) O agente causador mais frequente é o fenobarbital, seguido pelos inibidores da recaptação de serotonina.
  4. D) A termogênese acentuada leva a taquicardia, taquipneia, diaforese e labilidade da pressão arterial.
  5. E) O tratamento consiste em suspender o agente agressor e resfriar o paciente. Pacientes com disfagia devem ser mantidos em jejum. Se houver sialorreia volumosa ou rebaixamento do nível de consciência, intubação orotraqueal precoce deve ser cogitada para evitar complicações pulmonares.

Pérola Clínica

SNM → hipertermia, rigidez, disautonomia, alteração consciência; causada por antipsicóticos, não fenobarbital ou ISRS.

Resumo-Chave

A Síndrome Neuroléptica Maligna (SNM) é uma emergência médica grave associada principalmente ao uso de antipsicóticos (neurolépticos), especialmente os de alta potência. Fenobarbital e inibidores da recaptação de serotonina (ISRS) não são os agentes causadores mais frequentes da SNM, sendo o primeiro um anticonvulsivante e os segundos associados à síndrome serotoninérgica.

Contexto Educacional

A Síndrome Neuroléptica Maligna (SNM) é uma emergência médica rara, mas potencialmente fatal, caracterizada por uma disfunção grave do sistema nervoso central. Ela é classicamente associada ao uso de medicamentos antipsicóticos (neurolépticos), que bloqueiam os receptores de dopamina, mas também pode ocorrer com outros fármacos que afetam a neurotransmissão dopaminérgica ou com a retirada abrupta de agonistas dopaminérgicos. É crucial para o residente reconhecer seus sinais precocemente. A fisiopatologia da SNM envolve a disfunção dopaminérgica central, levando à hiperatividade simpática, rigidez muscular extrema e termogênese desregulada. Os achados clínicos incluem hipertermia (geralmente > 38°C), rigidez muscular "em roda denteada", alterações do estado mental (confusão, coma), e disautonomia (taquicardia, taquipneia, sudorese profusa, labilidade da pressão arterial). Complicações como rabdomiólise, insuficiência renal aguda e broncoaspiração são comuns. O tratamento da SNM é primariamente de suporte, incluindo a suspensão imediata do agente causador, resfriamento agressivo do paciente, hidratação intravenosa e monitoramento rigoroso. Medicamentos como dantroleno (para rigidez e hipertermia) e bromocriptina (agonista dopaminérgico) podem ser utilizados. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento, sendo uma condição com alta morbimortalidade se não tratada adequadamente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Síndrome Neuroléptica Maligna?

A SNM é caracterizada por uma tétrade: hipertermia, rigidez muscular grave, disautonomia (taquicardia, taquipneia, labilidade pressórica, diaforese) e alteração do nível de consciência.

Quais medicamentos estão mais associados à Síndrome Neuroléptica Maligna?

A SNM é mais frequentemente associada ao uso de antipsicóticos (neurolépticos), especialmente os de alta potência como o haloperidol, mas pode ocorrer com qualquer agente que bloqueie os receptores de dopamina.

Qual a conduta inicial no tratamento da Síndrome Neuroléptica Maligna?

O tratamento inicial da SNM envolve a suspensão imediata do agente causador, medidas de suporte intensivo (resfriamento, hidratação, controle da pressão arterial) e, em casos graves, o uso de dantroleno ou bromocriptina.

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